quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SAUDADE, MEU REMÉDIO É CANTAR

Este ano está sendo bem fraquinho para o cinema nacional, não só na bilheteria como também na qualidade dos filmes. Mas eis que surge um salvador da pátria: é "Gonzaga - de Pai para Filho", que eu assisti ontem numa pré-estreia. É grandioso, brasileiríssimo e muitíssimo bem feito. Fora que resgata os repertórios de Gonzagão e Gonzaguinha, dois tesouros da MPB. E ainda tem ótimas atuações, como a do sanfoneiro Chambinho do Acordeon - que nem ator profissional era, e que só foi escolhido para o papel por ser músico e bem parecido com o velho Lua. O diretor Breno Silveira já havia conseguido me fazer gostar de um filme sobre música sertaneja com "Dois Filhos de Francisco", mas cometeu dois desastres na sequência: "Era uma Vez.." e o recentíssimo "À Beira do Caminho". Aqui ele se redime e prova que só precisa ter nas mãos um bom roteiro. Que foca num tema até pouco usado no cinema brasileiro, mas frequente no americano: a obessão com a figura paterna. Gonzagão foi um pai distante, dizem até porque desconfiava que Gonzaguinha não fosse seu filho (os dois, de fato, não se pareciam em nada). Este forte argumento teve tratamento de superprodução, pois o filme tem um caminhão de patrocinadores. Ganhou até uma campanha colossal da Globo, que o promove em quadros do "Fantástico". Mas será que vai fazer o sucesso que merece? Há mais de 20 anos que os dois Gonzagas morreram, e não sei se são muito conhecidos pela geração que curte Michel Teló ou Luan Santana. Se bem que muitas das canções são clássicos imediatamente reconhecíveis, como a inevitável "Asa Branca". Mas a que eu saí cantarolando do cinema foi "Que Nem Jiló": "Se a gente lembra só por lembrar..."

10 comentários:

  1. Gonzagão é uma delícia, né? As músicas, hein!!!

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  2. Sabe a famosa frase do biscoito tostines? dá pra plagiar sobre: o problema existe de fato nas familias dos eua, ou passou a ser problema após os filmes? Sobre o filme de gonzagao, o trailer da uma ideia da emoção. pega e pega mesmo.

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  3. Ai Tony, posso falar? Estou meio com preguiça desses filmes de sertão e favela. Ás vezes fico com vontade de ver um filme nacional, sei lá, em Minas Gerais, Santa Catarina ou Mato Grosso.
    O Brasil é maior que esse eixo Rio-Nordeste.

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    1. Desculpe, mas é onde se produz cultura de qualidade, com identidade folclórica brasileira.

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    2. Será realmente? Ou fomos levados a acreditar nisso, por força da insistência? Tenho certeza que histórias muito boas podem ser contadas em outros contextos que não sejam Rio e Nordeste.
      Se é por identidade folclórica, quer um estado com uma identidade mais marcante que o Rio Grande do Sul? E muito sub aproveitado.

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    3. Identidade marcante do Rio Grande do Sul ? Gaucho ? ... tá mais para Argentina e Uruguay que Brasil.

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    4. Eu acho que mais estrangeiros se sentem aqueles milhões e milhões de brasileiros que vêem TV e Cinema nacionais e não conseguem se identificar com o que está passando, nunca pisaram numa favela ou numa caatinga.

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    5. Eixo Rio-Nordeste? Oi? HAHAHAAHAH Desculpa, querido, mas o único "eixo" que existe no Brasil se chama Rio-São Paulo, e esse nome existe devido à participação econômica, demográfica, política, etc, dos estados do RJ e de SP.

      Como o Rio era capital do Brasil, justamente por isso o povo carioca é receptivo com pessoas de outras partes do Brasil. Meus pais não nasceram no estado do Rio, por exemplo, e isso se reflete em várias outras famílias. Nós somos um pouco do Brasil todo. Assim como São Paulo, só que no caso deles isso não ocorre devido a questões políticas do passado, mas sim pela economia deles.

      E querido, favela não existe só no Rio. Pobreza tem no Brasil todo. Aliás, o Rio Grande do Sul, suposto exemplo de desenvolvimento, além de já ter tido sérios problemas com sua dívida, tem os presídios mais superlotados do Brasil. Então assim...nem vem com esse papo de gente alienada dos cafundós do Brasil que acha que pobreza e violência só se concentram no Rio e em SP. Aliás, essas duas capitais ficaram BEM melhores do que Curitiba e Porto Alegre no ranking das capitais mais violentas do Brasil.

      Acho que o sul tem seus méritos, mas também tem muitos dos problemas vistos em outras partes do Brasil.

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    6. Juanita,
      Acho que você precisa sair mais de casa.
      Apesar do desenvolvimento ainda não ser "homogêneo" é gritante o desenvolvimento de outras capitais brasileiras, principalmente no NE.
      Os fluxos migratórios, por exemplo, já mudaram tornando cidades como Recife, Fortaleza e Natal recebedoras de imigrantes e não o contrário.

      Vai viajar bilú. Ver umas rolas.

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  4. Vi o filme hoje e gostei mais como "documentário". As amarras do roteiro são manjadas, não? Achei o filme burocrático e... frio. Esperava me emocionar, sou nordestino e os forrós de Gonzagão são parte muito muito forte de minha formação, mas saí do cinema um pouco decepcionado.

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