Depois de ter dito à revista do "New York Times" que havia escolhido ser gay, Cynthia Nixon se sentiu obrigada a esclarecer melhor o que realmente quis dizer. As declarações da atriz provocaram uma enorme celeuma no meio LGBT americano, onde "born this way" é uma palavra de ordem - em reação às lideranças religiosoas, que sustentam que a orientação sexual é uma opção consciente e que portanto pode ser revertida. A Miranda de "Sex and the City" reparaceu para dizer que não é bem assim e que na verdade ela é bissexual e que escolheu "estar numa relação gay". Ou seja, admitiu que seus desejos são espontâneos e incontroláveis. E que sua única escolha foi vivenciar esses deejos e não fazer segredo sobre eles. Mais ou menos como é o caso de todos os gays, lésbicas e bissexuais assumidos.
Aliás, tenho até dúvidas se Cynthia Nixon seria mesmo bi... Já viu a cara de sua mulher, Christine Marinoni? É mais máscula que o Chaz Bono. Mas isto não vem ao caso. O que realmente interessa é que Cynthia levantou um ponto crucial: e se a sexualidade fosse mesmo uma escolha? Qual o mal disto? "Não importa como chegamos até aqui, importa o que somos". Quando insistimos que a homossexualidade é algo inato, estamos de certa forma admitindo que ela seja um defeito de fabricação. O homossexual não deve ser discriminado porque nasceu assim, coitado. É quase um autista, ou um deficiente físico: não tem culpa de ser assim. Merece compreensão, e não desprezo.
Defeito o meu cu. A verdade é que a ciência ainda não determinou as causas ou os propósitos da homossexualidade, mas circulam algumas teorias muito interessantes. A óbvia é que ela serviria como um mecanismo biológico para controlar a população. Existe uma outra, mais provocante, que alega que o suposto gene da viadagem, quando "cai" numa mulher, deixa-a mais "fogosa", mais interessada em sexo - e portanto mais apta para se reproduzir e passar sua carga genética adiante. Quando "cai" num homem, transforma-o em bicha. Esta explicação leva em conta que a homossexualidade masculina ocorre em absolutamente todas as culturas da Terra, portanto teria um fundo biológico e não cultural. E um gene desses não sobreviviria tanto tempo nem seria tão difundido se não trouxesse alguma vantagem evolutiva, ou seja: se não facilitasse a reprodução da espécie. Já a homossexualidade feminina teria outras causas genéticas, ainda menos decifradas.
O fato é que a maioria dos cientistas concorda que a orientação sexual é resultado da mistura de alguma predisposição genética com as influências do meio. Vejamos o fenômeno dos gêmeos idênticos que foram criados separados: se um deles for gay, é enorme a possibilidade do outro também ser. Mas se a genética fosse tudo, ambos seriam, em 100% dos casos.
O blog "Muque de Peão", do meu amigo Luciano, apontou para um ótimo artigo do colunista Frank Bruni no mesmo "New York Times". Bruni é gay assumido e defende que a homossexualidade seja respeitada de qualquer jeito, seja ela inata ou escolhida. O cara lembra que a cor da pele é totalmente natural, e nem por isto os negros deixaram de sofrer com o racismo. Além do mais, a religião, esse direito garantido por todas as constituições ocidentais, é uma escolha: podemos e devemos escolher no que crer e não crer, e ninguém pode nos perseguir por isto. Ele tem razão. Porque a homossexualidade não é um defeito nem uma qualidade: é só uma característica. Ponto.

My thoughts exactly. A gente deveria se preocupar menos com os julgamentos que fazemos dos outros e mais com a louça pra lavar.
ResponderExcluirAliás, muito bem empregada a palavra "coitado" no seu texto. Coitado é quem sofre o coito, né? Uy.
Talvez a certeza da determinação genética da homossexualidade seja muito mais útil para os próprios gays. Principalmente para os adolescentes em fase de questionamento ou aqueles que acham que é uma fase.
ResponderExcluirMas mesmo quando isto tiver sido provado e comprovado não teremos paz. Certamente vão querer isolar o tal conjunto de genes e talvez oferecer aos pais a possibilidade de interromper uma gravidez gay ou reverter a orientação sexual do filho ainda no útero.
Abraço,
Muque de Peão
até que enfim um post sensato...
ResponderExcluirsempre fui defensor de que ser gay nada mais é que um aspecto da minha personalidade e não algo que me defina.
E o caso dos irmãos gêmeos univitelinos, criados no mesmo meio familiar, social (frequentaram os mesmos lugares, tem os mesmos amigos e profissional (moda), onde um é gay assumido e o outro e galã pegador das mulheres mais gatas e atualmente casado e com filhos?
ResponderExcluirBacana quando vc termina um post com uma frase que define todo o pensamento, e que legal a Cinthia explicar melhor sobre a questão da escolha no caso dela.
ResponderExcluirEu não escolhi minha natureza sexual do mesmo jeito que não escolhi a cor dos meus olhos.
nossa, será que agora você entendeu e vai parar de buscar "as causas"? Já postei sobre isso várias vezes aqui, e dessa vez você literalmente tirou as palavras da minha boca. Veja meu desabafo de minutos atrás no Muque de Peão. O primeiro passo é fazer os blogayros influentes entenderem... quem sabe depois a população em geral começa a prestar atenção ao que realmente interessa?
ResponderExcluirivan
por que a heterossexualidade não é digna de ser investigada também?
ResponderExcluirserá que as pessoas são héteros porque escolhem ou já nasceram assim?
"heterossexual" é uma "opção", "orientação" ou "nenhuma das anteriores"?
enfim, acho que ainda pensamos muito nos moldes (lá vai:) "heteronormativos". Se é pra discutir a origem dos homos, trans, bis e o escambau, que se investigue também porque há essa gente estranha que se diz hétero. Igualdade de direito.
aff. fico imaginando no quantum de energia mental, que nós seres infernizados pelos outros e por nós mesmos, gastamos com esses pensamentos diários. seria tão mais fácil se nao tivesse essa carga toda. Enfim mais uma vez, eu gastando meus neuronios com isso. Eta vidinha... antonio
ResponderExcluirO mundo seria melhor se muitas coisas não precisassem de justificativas. As pessoas são o que são, e pronto!
ResponderExcluirGemeos idênticos, os univitelinos, não são exatamente idênticos por conta das diferenças epigênicas. Isso explica porque furam os 100%. O que vale na pesquisa é a estatística e ela revela a evidência de que a orientação sexual é inata. E estão certos os americanos de insistirem na palavra de ordem "born this way". Primeiro porque isso é real para qualquer orientação sexual e segue que por conta disso as terapias de reversão são uma farsa a ser energicamente combatida. Não se tratam orientações sexuais e identidades de gênero como comportamento. Comportamentos estão sujeitos à regras sociais, às convenções. Admitir orientação sexual como comportamento e não como ontologia implica em aceitar as regras da maioria.
ResponderExcluirOs adeptos do direito de escolha em questão de comportamento não vencem essa batalha. Só vencerão os adeptos da tese da orientação sexual ontológica. Que não é uma teoria, claramente refutável enquanto teoria pelo argumento aqui mesmo oferecido no post do Goes: "...a homossexualidade masculina ocorre em absolutamente todas as culturas da Terra, portanto teria um fundo biológico e não cultural." Argumento que vale não só para a homossexualidade masculina mas para qualquer orientação sexual.
Eu acho que é tudo encosto de pombagirismo. SAI SATANÁS!
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