Semana passada saiu no "New York Times" um longo perfil da Cynthia Nixon, a Miranda de "Sex and the City". sua personagem na série era frequentemente confundida com uma lésbica, e, na vida real, Cynthia se separou do pai de seus dois filhos para juntar os trapinhos com outra moça. Ela nunca fez muito mistério sobre sua vida particular e já declarou seu apoio à causa igualitária mais de uma vez. Mas há pouco tempo, durante uma palestra de motivação a uma plateia gay, Cynthia soltou uma frase que está causando rebuliço: "Já fui hétero e já fui gay, e ser gay é melhor". Então ela escolheu ser gay? Vamos deixá-la se explicar:
"Queriam que eu mudasse a frase, porque achavam que eu quis dizer que a homossexualidade pode ser uma escolha. E para mim, é uma escolha. Eu entendo que para muita gente não é, mas para mim é uma escolha, e ninguém pode definir minha homossexualidade por mim. Parte da nossa comunidade prefere que ser homossexual não seja visto como uma escolha, porque, se for uma escolha, então a gente poderia escolher não ser. Eu já digo que não interessa se voamos ou nadamos até aqui. O que interessa é que estamos aqui e somos um grupo, e vamos parar de fazer testes para decidir quem é gay e quem não é. Este assunto me incomoda muito. Por que não pode ser uma escolha? Por que seria menos legítimo? Parece que estamos dando razão aos homofóbicos, e eu não acho que eles deveriam definir os termos do debate. Também sinto que as pessoas acham que eu andava dentro de uma nuvem e não sabia que era gay, o que eu acho tremendamente ofensivo. não só para mim, mas para todos os homens com quem eu estive."
Hmmm. Cynthia tem razão em muitas coisas, como não deixar que os reaças tomem as rédeas da discussão. Mas acho que ela se equivoca num ponto: ninguém escolhe sua atração sexual. Mal comparando, assim como não se escolhe gostar de repolho ou de mortadela: você gosta e ponto. A escolha que pode ser feita é VIVENCIAR esta atração, pô-la em prática, assumi-la. É justamente esta escolha que incomoda setores da Igreja Católica, que acham que os gays devem permanecer quietinhos no armário e rezar para Deus lhes dar forças para resistir às tentações. Cynthia obviamente escolheu viver sua vida com dignidade e orgulho, e é ótimo que uma atriz de sua estatura não tenha receio de exibir a mulher por aí (não é mesmo, Jodie Foster?). Mas sua trajetória de hétero a gay (bastante comum entre as mulheres) na verdade só mostra como os rótulos são furados. E se amanhã ela voltar a namorar homens, como fez Anne Heche? Mas é a propria Cynthia quem diz que não importa como chegamos até aqui. Também não importa para onde vamos: o que interessa é sermos sempre respeitados, pelo que somos, já fomos ou ainda seremos.

Eu acho que a declaração dela como pessoa pública só serve para complicar, pois serve de munição para muita gente que só está esperando este tipo de argumento.
ResponderExcluirConcordo inteiramente com você sobre a escolha de VIVENCIAR a atração (eu costumo usar a expressão EXERCITAR a homossexualidade). Muita gente escolhe vivenciar isto na plenitude, outros parcialmente, outros escolhem não vivenciar de forma nenhuma. Mas a atração, o desejo, este não se suprime.
Muque de Peão
Acho que ela deveria ter refletido um pouco mais. Concordo com vc no que tange a decisao de vivencia a sexualidade. Isso sim é escolha. A sexualidade em si nao é uma escolha/opcao. Porém existem os bissesuais. Reconheco que bissexuais nao sao tao levados a sério nem por heterossexuais nem por homossexuais. E para um bissexual, fica mais fácil "escolher".
ResponderExcluirEu vou terminar procurando livros que tratem da sexualidade humana pois cada dia fico mais confuso, afinal, sou do grupo que não escolheu, sofreu horrores por causa disso, rezava para que pudesse haver uma escolha, uma saída, e seria hétero sem titubear, ate que resolvi VIVENCIAR a homossexualidade, já adulto, e constatei que não havia nada errado, exceto pelo fato de se manifestar numa minoria. Longo caminho...
ResponderExcluirConcordo mesmo com seu último parágrafo, que achei estranho, uma vez que vc defende a tal sexualidade fluida, na qual a Cinthia se encaixaria.
Essa senhora já ouvir falar de bissexualidade?
ResponderExcluirconcordo com o juliano, cintia me pareceu ser bissexual com tendência mais a mulheres que homens. eu conheço algumas garotas que são assim, assim como conheço alguns homens tmb. e acho mesmo que um bissexual pode escolher, ainda que, imagino, nunca se sinta 'completo'(se é que isso lá ekziste). já que, quem gosta de maçã e de banana, por mais que a maçã esteja uma delícia, uma hora pede banana.
ResponderExcluirp.s. e já vi gente falando que nunca se tocou que tinha desejos homos até ser seduzido...comofas?!
Acho que ela está certíssima. Se ela diz que é assim, quem somos nós para contradizê-la. Discordo que sua fala sirva de munição para quem quer que seja, estamos agindo como nossos detratores.
ResponderExcluiruma sugestão: junte este post com esse: http://tonygoes.blogspot.com/2012/01/tres-e-bom.html
ResponderExcluirEssa sociedade heteronormativa só tem feito estrago. Já é difícil compreender a própria orientação sexual, no caso dos bissexuais que não são perfeitamente meio a meio, quanto mais numa sociedade heteronormativa.
ResponderExcluirO tesão como critério de escolha pode definir uma orientação sexual, mas nada impede que outros fatores a ele aliados façam a balança pender para um outro lado.
A afirmar que é melhor ser gay, a Nixon apenas definiu que é bissexual homodominante. Qual o grau de homodominância existe na sua bissexualidade só ela pode informar, se souber. Porque a descoberta da plenitude de uma orientação sexual nunca chega ao fim. É um contínuo avançar, mas eu acredito que esse avançar se dá sempre no mesmo sentido. Mesmo que haja um aparente retorno à orientação oposta, ou mesmo uma oscilação do desejo, é sempre no sentido de descobrir a si mesmo, se auto conhecer.
Agora, que orientação sexual não se escolhe, descobre-se a que se tem, isso é fato. E a descoberta se dá na medida em que se vai encontrando a zona de conforto.
Orientação sexual é como impressão digital, íris do olho. É única e exclusiva de cada indivíduo. No futuro até será possível identificá-la por aparelhos. É só uma questão de conhecimento.
Orientação sexual é esculpida e não insculpida.
Ela deve estar falando desde uma condição, e a condição dela deve ser a de uma pessoa que naturalmente sente atração pelos dois sexos. Existem pessoas assim, ora. Existem os que tem atração somente por homens, os que tem atração somente por mulher e os que tem atração pelos dois. Os que tem atração pelos dois sexos podem escolher com qual dos dois quer ficar naquele momento de sua vida. Quem só tem atração por um não tem escolha. Se for honesto não tem escolha.
ResponderExcluirNada melhor do que falar pela gente, do que a gente próprio. Não sei se fui claro nessa frase. Quanto a ela ser gay, hetero, ou bi, é apenas um rótulo. Acredito que, com o tempo, as próximas gerações não se apaixonarão mais por um homem, ou uma mulher, mas por outra pessoa, independente do sexo dela. O que ela quis dizer é que navega bem sobre as duas possibilidades: namorar homens, namorar mulheres. E escolhe ser fiel à escolha dela, enquanto durar...
ResponderExcluirPra mim ela parece uma bissexual que escolhe com quem quer se relacionar naquele momento.
ResponderExcluirOi Tony, acho que dessa vez o equivocado é você, no meu caso pelo menos! Estou com a "Miranda" nessa! Tenho 36 anos, sou médico, professor universitário, paulista mas ludovicense de coração. Fui casado com uma mulher dos 23 aos 29 e foi uma época da minha vida ótima. Tive dois filhos que hoje são a razão da minha existência pequena. Sempre me defini intimamente como bixesual, mas não me relacionei com homens enquanto estive casado (antes sim), mas em determinado ponto da vida, poucos dias antes de completar os fatídicos 30, decidi que eu queria mesmo era ser gay. Gosto do sexo com mulheres, sempre me deu muito prazer, mas depois de uma noite com um rapaz, com quem vivo desde então, tomei a decisão. Escolhi. Poderia ter levado uma vida dupla por muitos e muitos anos mas não tive estômago. Ou poderia simplesmente ter abdicado, o que não me deixaria ter experimentado a felicidade quase plena, mas não seria uma tortura. Me divorciei deixando bem claro as razões. Hoje meus filhos moram comigo e com meu companheiro que é colega de profissão, pediatra dos meus filhos. Levo uma vida tranquila vivendo numa casa confortável na praia do Meio em São José de Ribamar, de onde lhe convidamos para conhecer nosso mundo simples mas bonito e aconchegante, região metropolitana (se é que se pode assim denominar) de São Luis. E vou viver assim até que resolva fazer outra escolha, seja uma ou seja outra.
ResponderExcluirGrande abraço
@Anônimo, pelo que estou entendendo a sua hostória é muito parecida com a da Cynthia Nixon. Também estou entendendo que tanto você quanto ela escolheram um estilo de vida gay, não a atração que sentem por um ou outro sexo.
ResponderExcluirEu também já transei com mulher e gostava muito, mas minha atração por homem foi mais forte. Mas não descarto algum dia voltar a me relacionar ou pelo menos transar com uma mulher.
Quanta honra em receber uma resposta tua, meu caro. Essa foi, talvez, a primeira vez que falei sobre o assunto com um estranho. Mas tu não me é tão estranho já, desde que um amigo me indicou teu blog no ano passado. Tuas dicas de cinema são primorosas! Pois bem, antes de voltar ao trabalho quero lhe dizer que apenas quis lhe provocar num ponto. Eu escolhi sim atração por um homem. Escolhi viver essa atração em detrimento de outra, mesmo porque o tal do "estilo de vida gay" a que se refere não me é nem um pouco atraente. Acho sim que pode ser uma escolha, como não pode. Cada um sabe bem a dor e a delícia de ser o que é.
ResponderExcluirBom, para não ficarmos nessa de @anônimo, me chame de Pedro, que é na verdade como me chamo!
Abraço
Ps.: o convite para que venha conhecer a terra que adotei ainda está valendo!
"Orientação sexual é como impressão digital, íris do olho". Bom acredito que para alguns sejam desse modo e para outros sejam como o sabor de sorvete que alguém escolhe. Hipoteticamente temos dois sabores: creme e chocolate. Você pode passar meses, anos escolhendo creme. Nunca ter experimentado o chocolate, mas um dia tenta e vê que não é pra vc ou curte tanto ou mais que creme. Acho que a metáfora dos olhos e do sorvete são válidas em relação a orientação sexual: pra vc e pra mim pode ser nossa cor dos olhos, que não pode ser "mudada", mas pra outras pessoas pode ser mais complexo.
ResponderExcluirEu fico com o Jô Soares: "e mesmo se for uma escolha? E daí? o que isso muda na minha vida?"
ResponderExcluirA grande verdade é que a gente passar BOA PARTE da nossa vida julgando AS ESCOLHAS dos outros que não nos afetam: desde a roupa que aquele hipster cafona decidiu usar na rua até as gordurinhas extras daquela celebridade que um dia já foi malhada.
eu escolho ser gay, escolho ter uma estilo de vida gay ... e dai se não for congênito ? o que muda ? ...
ResponderExcluireu nasci assim ou eu cresci assim ? vou ser sempre assim ? ou não.
Um desserviço... Mortadela foi o máximo!
ResponderExcluirEu acho que o Dr. Anônimo não teve escolha. Ou era mais feliz ou menos. Como ninguém escolhe ser infeliz ele só poderia decidir pela felicidade. Uma escolha implica a possibilidade de se arrepender da escolha feita. Quando essa possibilidade é zero porque a felicidade está em jogo, então não há escolha. E a possibilidade é sempre zero quando se percebe que uma forma de vida é melhor que outra.
ResponderExcluirSó se pode fazer escolhas entre coisas de valor idêntico. Então, o que se escolheu nesses casos não foi a orientação sexual mas a felicidade que o outro prometeu oferecer.
Os bissexuais têm essa vantagem, que foi justamente a causa da censura do kit anti-homofobia. Porque mal interpretado, deu a impressão de que se privilegiava a bissexualidade sobre a hétero ou a homo, como se fora uma propaganda. Aliás, tudo isso é resultado dessa teoria queer que por razões suspeitíssimas querem convencer a sociedade de que é a única forma de se entender a sexualidade humana.
Orientação sexual não se escolhe o que se escolhe é o parceiro sexual.
O Dr. Anônimo, vulgo Pedro, eu, fiz minha escolha. Faça as suas que de minha parte serão respeitadas. Escolha sua verdade. A minha é esta: escolhi. Por que incomoda tanto a minha escolha? Talvez porque você não teve escolha? Claro que teve. Optou por exteriorizar teus desejos como uma imposição da natureza. Eu não. Talvez a minha "escolha" seja mais confortável, uma vez que poderei transitar por aqui ou por ali, mas isso não devia ser objeto de discórdia. Isso não devia ser objeto sequer de discussão. Escolhendo ou não ser o que somos, somos um só povo, uma só nação (risos). Para os evangélicos não interessa se o irmão nasce irmão ou se optou pela fé em outro momento da vida. Não deveria para nós tambem! Abraço
ExcluirNo Towleroad foi postado algo sobre ela dizendo que não quer se definir como bissexual porque ninguém gosta dos bissexuais (o que não é mentira). Tem até uma passagem em que ela se refere aos bis como "nós".
ResponderExcluirSe você for pensar, acho que um bissexual monogâmico realmente "escolhe" sua sexualidade, nesse aspecto.
Eu não teria essa capacidade, porque sou gay. Mas não duvido que existam pessoas no mundo que tenham.
Ou seja, segundo o Townleroad, Cynthia quer ser vista da maneira mais cool possível, independente do que ela de fato veja no espelho do banheiro... é sua imagem - e não sua realidade - que paga as suas contas, né?
ResponderExcluirE ela tb está certa quanto à antipatia por bissexuais. Não por inveja da versatilidade, mas porque todos sabemos o martírio que é sublimar um desejo que o seu parceiro simplesmente não tem como saciar. Quantos homens casados deixam claro para a esposa que, para sustentar aquela relação monogâmica, ele não só está abrindo mão de se relacionar com outras mulheres com tb com outros homens? Uma concorrência bastante cruel...
O intrigante é que os bissexuais parecem ter por tradição justificar suas eventuais infidelidades ( e instantânea auto-absolvição ) com este mesmo argumento, mantendo o silencio e até mesmo sentindo-se altruístas neste aspecto.
Ainda falta MUITA sinceridade na maioria do bissexuais.
Pra mim não foi uma escolha, mas não sou narcisista ao ponto de me achar régua do mundo.
ResponderExcluirTony ontem (25.01) passou no natgeo o programa tabu sobre o limite de dois sexos... sobre o terceiro sexo entre os hindus e também sobre as virgens que optam por viver como homem para ter um status mais elevado na albânia... o programa foi de impressionar, principalmente falando sobre o oriente!!! a tailândia por exemplo é o lugar com mais transexual e travestis no mundo... e contou a história de um campeão nacional de muay thai que era transexual e que se maqueava para lutar... e não perdia uma luta. Inclusive no final dava um beijo no adversário como forma de pedir desculpas... e hoje é operado e vive feliz com uma filha e super respeitada pela população... muito bom mesmo... foi de impressionar!!!
ResponderExcluirTony falando aqui internamente, em termos de Brasil. O gay brasileiro acha que todo mundo tem que ter pena dele e defendê-lo de toda forma. Não acredito na necessidade das pessoas terem que se expor ou levantar bandeira como no caso o ator de uma novela se o seu personagem é gay. Começa na idéia de discutir a sexualidade um do outro já é absurdo. E ainda defender o seu gosto na cama é mais terrível ainda. Eu tenho medo sim das pessoas que tem o poder da palavra, por ser pública ou mesmo um líder. Prefiro que fiquem quietos sem comentários que possam atrapalhar ainda mais e aumentar a ignorância das pessoas...
ResponderExcluirE ainda se for escolha para alguns. Ninguém é igual. Essa pode ser a quarta opção... ou décima quarta, pois pelo programa do natgeo ontem poderia ter até mais de 5 sexos diferentes por ai. Eu mesmo tenho algumas amigas que provaram o mesmo sexo e hoje não querem mais homens. Opção para elas? Ainda bem que descobriram logo para serem felizes. Em contra partida tenho amigos homens gays que nunca transaram com mulheres. Não tem uma ordem e nem o certo ou errado. Como diria Dercy cada um dá para quem quiser... e foda-se!!!
ResponderExcluirPorque é que quando um famoso tem uma sexualidade divergente agir e falar naturalmente sobre esta é chamado de "se expor" e quando ele é heterossexual não?
ResponderExcluirPorque ele justamente está se expondo à reprovação de amplos setores da sociedade e também ao risco de perder novos trabalhos (especialmente se for ator).
ExcluirSim, Tony. Mas o que eu me refiro é ao uso do termo por iguais ou pessoas para as quais esta sexualidade não teria o menor peso profissional. A afetividade é um aspecto tão relevante na vida de qualquer um - celebridade ou anônimo - que não ser franco e direto quando perguntado é sim ESCONDER.
ExcluirCada um sabe onde lhe aperta o calo, mas esconder afetividade sob o argumento de "privacidade" é meio demais... Que heterossexual faz isso?