Já fui melhor nisto. Quase todo ano eu soltava um longo post com uma prévia do Oscar, avaliando as chances de cada um os principais concorrentes. Mas minha vida anda tão cheia que só hoje, mais de 24 horas depois de saírem as indicações, que eu encontro tempo e disposição para comentá-las. E meus comentários não têm nada de especial: tive as mesmas surpresas que todo mundo. Mas, só para não perder o costume, lá vão eles:
- Minha amada Glenn Close conseguiu ser indicada depois de 23 anos em jejum, mas sua probabilidade de levar a estatueta é pequena. "Albert Nobbs" não pegou muito bem. E coitada da Tilda Swinton, que todo ano merece estar entre as finalistas e é sempre esnobada. Dessa vez ela perdeu o lugar para a novata Rooney Mara, no mesmo papel que quase rendeu uma indicação para Noomi Rapace ano passado (pela versão sueca de "Os Homens que não Amavam as Mulheres"). Mas a briga pelo prêmio de melhor atriz vai ficar entre as amigas Meryl Streep e Viola Davis. Meu palpite: esa última leva, inclusive porque é negra. Aliás, este ano também teremos uma negra como melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer, pelo mesmo "Histórias Cruzadas" (que eu vi num avião - mais para a frente eu comento). Ambas merecem.
- Fico feliz pelo Demián Bichir, ator mexicano que fez o prefeito traficante que se casa com Mary-Louise Parker na série "Weeds". E Gary Oldman já tinha que ter sido indicado há quase 20 anos, pelo "Dracula" de Coppola. Antes tarde do que nunca. Mas quem ganha é George Clooney, pela segunda vez.
- "The Artist" vai ganhar em quase todas as suas categorias, mas não duvido que a Academia dê um segundo Oscar de direção para Martin Scorsese. O cara é simplesmente o melhor do mundo, e só ganhou uma vez até hoje.
- O que é a força de um produtor, hein? "Tão Forte e Tão Perto" só ficou entre os nove indicados a melhor filme porque Scott Rudin é ultra-bem conectado em Hollywood (em vários sentidos, if you know what I mean). Mas até a influência do cara tem limite: Stephen Daldry, o diretor do filme, perdeu a chance de ser indicado pela quarta vez consecutiva. E não vejo a hora da principal categoria do Oscar voltar a ter apenas cinco indicados. Nove é ridículo.
- Que merda é essa categoria de melhor canção, com só dois indicados? Pelo menos um deles é 100% brasileiro: "Real in Rio", assinada por Sergio Mendes e Carlinhos Brown. E eu ainda achei que dessa vez a Academia se renderia a Madonna... Mas "Masterpiece" ficou de fora, apesar de ter ganho o Globo de Ouro. Pelo menos seu filme "W.E." foi lembrado para melhor figurino.
- A categoria de longa em animação também precisa rever suas regras. "As Aventuras de Tintin" não foi indicado porque os a técnica "motion capture" não é considerada animação (mas computação gráfica e massinha são, vai entender). Se o "Tintin" de Spielberg tem algum defeito, é justamente porque é animado demais. E é melhor do que todos os cinco finalistas juntos.
A cerimônia de entrega acontece dia 26 de fevereiro, na semana depois do carnaval. Espero ver o máximo de indicados possíveis até lá.

Já eu acho que a Meryl ganha justamente por causa da vitória da Octavia como coadjuvante; infelizmente ainda existe cota racial na academia...E claro, ela merece de verdade ganhar este ano com esse papel.
ResponderExcluirTava esperando seu post, Tony. Enquanto te escrevo, só falta "Tão Longe, Tão Perto" e "A Invenção de Hugo Cabret" para assistir. Mas vamos lá:
ResponderExcluir_ Discordo quanto a atriz. Michelle Willians. Na mosca.
_ George Clooney MERECE esse Oscar. Está bárbaro. Está amadurecido. Você sente o "clueeless" do personagem dele em "Os Descendentes", em cada cara de paspalho que ele faz.
_ Sei que "O Artista" é um filme mudo, é belo, tem suas brincadeiras (como no final). Mas não é tudo isso. "Os Descendentes" é anos-luz melhor que "O Artista". Ele fala mais às pessoas. Emociona mais. Por falar de família, principalmente. Consegue superar "Sideways". Blasfêmia tirar o Oscar dele.
_ Scorcese virou opção a diretor. Acho engraçado, pois todos clamam unicamente por Scorcese como vencedor, mas não há o mesmo burburinho por causa de "Hugo". "Ah, o filme é lindo"...mas não é o melhor, não é?
_ Tecnicamente falando, "stop-motion" não é bem animação. Animação consiste em dar vida ao que é inanimado, por assim dizer. Criar vida, movimento do nada. Em "stop-motion", você está recobrindo algo já existente, animado, por uma camada. Tecnicamente, você altera algo que não existe. A animação seria como a pintura. O stop-motion, como alterar a foto da pintura no Photoshop para criar algo novo.
_ Às vezes, acho que a academia não gosta de Madge.
Uma palhaçada esse Oscar. The Help (Histórias Cruzadas) é muito ruim, não merece nenhuma das indicações (no máximo Viola Davis). Tilda tinha que ter sido indicada e Glenn Close deveria ganhar o Oscar porque ela é uma fofa e a Meryl já foi indicada e ganhou mil vezes. Mas não acho justo que Viola Davis fique com o prêmio. Muito menos Octavia Spencer, só pela cena da torta - ridícula por sinal. Drive, um filmaço noir, recebeu apenas uma misera indicação, e Ryan Gosling por Drive e Tudo Pelo Poder não foi indicado a nada. Palhaçada. Depois a Academia se pergunta porque perde audiência a cada ano. Nove filmes indicados sendo que pouquíssimos são realmente merecedores. Enfim...vou assistir mesmo assim, como faço todo santo ano, porque néam...I love it anyway.
ResponderExcluirEu e Lucas T divergimos pela 1ª vez na história. Histórias Cruzadas me levou às lágrimas. Dá para contar nos dedos de uma mão a quantidade de filmes que conseguiu fazer isso comigo.
ResponderExcluirAinda aguardo ansiosamente o seu review de "The Help". Pena que você viu na telinha do avião e talvez com cortes de algumas cenas que esse tipo de formato exige.
Vou rever "The Help" assim que entrar em cartaz, para ter uma ideia melhor do filme. Acho que ele tem uma ressonância especial para o Brasil, onde impera um apartheid informal entre ricos e pobres.
ExcluirE ainda dá para ampliar o escopo do assunto para os gays que saem ou ficam no armário.
ExcluirO nome do filme não é "Tão Longe,Tão Forte"?
ResponderExcluirNão! Em portugês ficou "Tão Forte e Tão Perto". Já corrigi.
ExcluirSobre Madonna, ela não foi propriamente esnobada. È que Masterpiece só é tocada depois de 1m30s que começam a projetar os créditos finais. Isso vai contra as regras da Academia - pra ser indicada, ela tem q tocar durante o filme ou, no máximo, no primeiro minuto e meio dos créditos. Nesse caso, Madonna deu mole.
ResponderExcluirSobre só ter duas músicas indicadas, vai aqui uma matéria da Rolling Stone: http://rollingstone.com.br/noticia/oscar-2012-entenda-o-motivo-de-somente-duas-musicas-terem-sido-indicadas-como-melhor-cancao-original/
Mais explicações: http://oglobo.globo.com/cultura/entenda-corrida-pelo-oscar-de-melhor-cancao-original-3762377
Excluir@Daniel The Help divide opiniões mesmo, uns amam outros odeiam.
ResponderExcluir- RANGO é a melhor animação do ano. Sem TINTIM, ficou sem adversários.
ResponderExcluir- HUGO deve fazer a rapa nas técnicas. Melhor diretor eu duvido, pois eles já mostraram que não são muito fãs de Scorsese: Seu Oscar veio quase que por obrigação.
- O ARTISTA é o melhor do ano. Merece filme, ator, roteiro, trilha sonora. Mas é francês assim como o Dujardin. Pode acontecer uma enorme surpresa.
- As regras de canção mudaram mais uma vez... O número de canções que concorre depende da nota que recebem. pelo visto, estavam de mau humor esse ano...
- Tilda Swinton deu azar: Disputava com Rooney Mara e Glen Close as últimas duas vagas. Glen não era indicada há mais de 20 anos e Rooney está ótima em um papel difícil, é bonita, é jovem, é a novata do ano (e todo ano tem que ter uma...). Como Tilda, além de ser esquisita, não é americana e já possui um Oscar, sobrou para ela...
Bruno, as regras de Melhor Canção mudaram há um bom tempo, já. Ano passado, mesmo, foram 4 indicadas, não 5. Depois desse ano, a Academia vai ter q mudar esse esquema de "pontuação mínima".
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