sábado, 21 de janeiro de 2012

QUEM CONVENCE GANHA MAIS

Preferia que "A Separação" não tivesse chegado Brasil carregado de prêmios (Urso de Ouro em Berlim, Globo de Ouro semana passada) e fosse o favorito ao Oscar de filme em língua estrangeira. Fui ao cinema esperando levar uma grande bofetada, quando "A Separação" na verdade é uma sequência de bofetadinhas. Algumas são até imperceptíveis, daquelas que só doem para valer no dia seguinte. O estilo sem firulas do diretor Ashgar Farhadi - que também assinou o interessante "Procurando Elly" - leva o espectador para dentro da casa dos personagens e, aos poucos, para a cabeça também. Um tenso processo de divórcio piora ainda mais com a chegada de uma empregada. A mulher quer se mandar do irã, o marido quer ficar para cuidar do pai com Alzheimer; enquanto dura o impasse, ele contrata uma moça para tomar conta do velho. Esta, por sua vez, esconde do marido que está trabalhando. Explode um grande conflito com todos os matizes possíveis: luta de classes, machismo, intolerância religiosa. Cada um então expõe sua parte da verdade, num jogo onde todo mundo tem razão e culpa ao mesmo tempo. Todos os atores são excelentes e, por desconhecidos de nós, nos fazem acreditar que são mesmo aquelas pessoas. A única coisa que desvia a atenção é a beleza estonteante de Leila Hatami, uma Ingrid Bergman persa. "A Separação" tem momentos árduos de se ver, com discussões acaloradas que lembram aquele programa do SBT onde fui jurado por um dia. Essta aridez pode não lhe garantir o Oscar, mas bem que ia ser legal o país mais hostil aos Estados Unidos faturar a estatueta.

3 comentários:

  1. Fiquei bem curioso pra assistir este filme. Por enquanto o meu favorito é "O Artista" mas falam muito bem dos "Descendentes". Bem vamos esperar pra ver.
    Abraços e lindo fim de semana.

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  2. Acabei de ver o filme por coincidência. Por hora pensava que todos eram culpados por se deixarem levar por questões morais independente de origem e cultura. Ao mesmo tempo não julgava os personagens por entender a complexidade cultural do Irã que, como todos os países do mundo, tendem, cada um no seu ritmo, à deixarem religião e moralidade de lado e à aceitarem um estado laico. Conclui que ninguém era culpado pq, simplesmente, culpa não existe à meu ver. Tudo na verdade é uma grande confusão. O que mais me chamou atenção foi como o diretor do filme conseguiu gerenciar tantos, mas tantos, assuntos diferentes e mal entendidos sem deixar o espectador perdido e o filme fora da questão central que era a separação. Não conheço outros filmes dele mas fiquei impressionado e quero ver os próximos. E sim, adorei! O filme é muito bom. Bela crítica. Parabéns e um Abração

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  3. Estava lendo o blog com alguma atenção até ler o que vc escreveu sobre A SEPARAÇÃO. Perdi o interesse pelo blog completamente.

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