domingo, 29 de janeiro de 2012

O HOMEM QUE NÃO AMAVA AS MULHERES

A reversão de expectativa funciona em mão dupla: fui ver "J. Edgar" achando que não ia gostar, e gostei. Não sou muito fã do Clint Eastwood, as críticas não eram boas e o filme não recebeu uma mísera indicação ao Oscar, Tudo isto fez com que eu fosse ao cinema meio que por orbigação, e acabei me envolvendo com a história. Que é realmente interessante: J. Edgar Hoover, o cara que praticamente inventou o FBI e as modernas técnicas de investigação, investia na imagem de durão, mas muito provavelmente era gay. Digo "muito provavelmente" porque não há provas cabais. Hoover nunca se casou e era visto sempre com um assessor, que depois também se tornou seu herdeiro. Logo após sua morte, circularam rumores de que elet ambém gostava de se vestir de mulher. O roteirista Dustin Lance Black, que ganhou um Oscar por "Milk", dá asas à imaginação e inventa muitas situações, mas mantém o personagem o tempo todo no armário, em permanente conflito consigo mesmo. Leonardo Di Caprio está muito bem no papel, apesar de, aos 37 anos, ainda conservar voz e ar de adolescente. Bem pior é a maquiagem de envelhecimento, que deixou o ator Armie Hammer parecendo estar usando uma meascara de parque de diversões. É engraçado saber que, antes de Hoover, ninguém se preocupava com impressões digitais ou em não mexer na cena de um crime; foi ele quem estabeleceu procedimentos que hoje nos parecem naturais. Pena que ele não soube lidar com usa propria natureza, pois foi um homem atormentado. Quer dizer, pena para ele - nós ganhamos um bom filme.

6 comentários:

  1. hmm. fiquei com vontade de ver.

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  2. Legal você ter focado nos aspectos positivos do Hoover, porque se fosse focar nos negativos, o post seria imenso. O filme não mostra 1/4 das coisas horríveis que ele fez.

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  3. acho que o titulo do filme esta errado

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  4. Você quer dizer, o título do post?

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  5. Já deu pra perceber que o João P. Coutinho da Folha tem alguma problema com as bonecas.

    Não vi o filme mas o Inácio Araújo da Folha deu ótimo para o filme de Eastwood.

    Mas para o colunista português, a implicância começa desde cedo pelo roteiro ter sido escrito pelo mesmo cara de "Milk".

    Sei não viu, esse gajo...

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  6. Parece interessante, embora fosse mais se o filme fosse mais a fundo nos conflitos desse homem. Sempre achei que, enquanto as mulheres são mais intensas, os homens são mais profundos. Agora um parêntese: já reparou que a cabeça do Leonardo Di Caprio cresce na mesma proporção em que os anos passam pra ele? Praticamente, um minicraque!

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