segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A INVENÇÃO DA HETEROSSEXUALIDADE
Homens e mulheres transam entre si desde sempre, é óbvio. Mas, até o final do século 19, não existia a palavra “heterossexual” – assim como não existia “homossexual”. Elas foram criadas ao mesmo tempo por um jornalista austro-húngaro, e rapidamente encampadas pela nascente psicanálise. Então quer dizer que antes disto não havia rótulos e todo mundo comia todo mundo? Não exatamente, mas a criação de duas categorias estanques foi fundamental para a gênese do homem moderno. É o que defende a escritora Hanne Blank, ela propria casada com um/a hermafrodita. Seu livro “Straight” só sai semana que vem nos Estados Unidos, mas já vem chamando atenção e provocando debates. Faz tempo que se sabe que a sexualidade é por demais ampla e fluida para aceitar rótulos, mas as ideias de Blank são complexas e merecem atenção. Ela diz, por exemplo que ninguém “nasce” homo ou hétero – tudo o que a direita religiosa gostaria de ouvir – mas que as identidades sexuais são construídas tanto pela natureza quanto pela cultura. É um pensamento interessante. Depois de ler esta entrevista dela no site “Salon”, fiquei com vontade de encomendar o livro.
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A teoria dela é interessante, mas acredito que é a genética o fator preponderante.
ResponderExcluirObrigado pela dica! Vou encomendar! Minha dissertação de mestrado é justamente sobre como o controle da sexualidade é importante no processo de construção da identidade cristã que começa a ser forjada no início da Idade Média, assim como é fundamental na construção do Estado!!!
ResponderExcluirMas isso que ela disse não é nenhuma novidade, né? E eu concordo com Lucas quando diz que a genética é fator preponderante.
ResponderExcluirQuanto as expressões, tem uma que eu li em Sodoma e Gomorra de Proust que eu achei interessantíssima: Homens invertidos. Eles eram os homens gays do início do século XX.
Volta e meia eu debato isso com o meu médico e nosso consenso é que nem tanto o céu, nem tanto a terra. Genética e criação influenciam sim, mas não da maneira óbvia como os homofóbicos simplórios acham, como se fosse uma herança passada de pai para filho, senão, os homos jamais nasceriam dos HTs.
ResponderExcluirO proprio nome ja diz : orientaçao sexual. Nao é nem determinaçao sexual (genética) e nem opçao (razao). Penso que homossexualidade e heterossexualidade sao que nem Q.I, voce nasce com um coeficiente, mas sao fatores sociais que conduzem se seu potencial vai ou nao ser alcançado, ou surpassado.
ResponderExcluirSe o meio ambiente, a ecologia, a "natureza" interferem na construção da orientação sexual de um indivíduo, então tem que interferir desde antes inclusive da sua concepção. Isso quer dizer que se nasce orientado sexualmente. É como diz Obama, nasce-se com uma certa configuração básica. Mas é essa configuração básica que determina o que deve ser a vida sexual de alguém. A pressão social pode induzir a um comportamento diferente da ontologia do indivíduo, mas não sem prejuízo do seu conforto sexual, que só é restaurado quando o indivíduo se ajusta à orientação com a qual foi dotado desde sempre.
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