sexta-feira, 27 de maio de 2011

FUI HÉTERO, JESUS ME LIBERTOU

Em meio a tanta treva emanada pelos parlamentares ligados aos evangélicos e à Igreja Católica, é reconfortante perceber que muita gente religiosa também apoia a campanha pelos direitos igualitários. O Diversidade Católica é um grupo leigo que busca conciliar a fé e a homossexualidade - algo que eu até tentei, mas não consegui. Faz tempo que renunciei à minha identidade católica, mas admiro muitíssimo quem insiste nessa luta. De vez em quando eles comentam aqui no blog ou me citam no Twitter e acho que são parceiros fundamentais no longo caminho que ainda temos pela frente. Esta semana um leitor chamado Flavio me indicou outro blog interessante, o Ex-Hétero, que reúne depoimentos de pessoas que passaram por "terapias" para deixarem de ser gays. É fascinante como muitos não abandonaram a religião, apesar de terem sido forçados por suas igrejas a lutar contra si mesmos. Existem muitos, muitos outros grupos e blogs que batalham pela causa LGBT a aprtir de uma perspectiva religiosa - até mesmo um de mórmons, geralmente tidos como alguns dos nossos piores "inimigos". São praticamente agentes infiltrados dentro do campo adversário, e por isto mesmo precisamos todos conhecê-los e apoiá-los.

46 comentários:

  1. mudando um pouco de assunto.

    já que vem por aí o movimento da bancada evangélica para fazer plebiscito e tentar anular a decisão do STF, eu tenho uma proposta:

    plebiscito para saber se as igrejas devem mesmo ter imunidade tributária.

    sim, vamos perguntar ao povo brasileiro: a igreja deveria pagar imposto como todo mundo?

    porque eestes caras não apenas querem nos impor o obscurantismo deles abaixo de porrada. Nós ainda os pagamos para isso.

    já que o importante é a vontade da maioria, que seja feita a vontade da maioria.

    ivan

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  2. Não entendi o porque da palavra inimigos entre aspas. Eles SÃO nossos inimigos, todos eles, não importa o quanto haja pessoas dispostas, entre as fileiras dos religiosos, a nos "aceitar". ESSAS pessoas são as anomalias, não as normas.

    Todas (veja bem, TODAS) as religiões abraâmicas são nossas inimigas, e não entendo o que mais seus representantes precisam fazer pra enxergarmos isso (a última semana foi bastante elucidativa nesse ponto).

    E, sinceramente, admirar gays que lutam pra conciliar sua homossexualidade com suas superstições religiosa? PUH-LEAZE.

    Gays religiosos são como...sei lá, judeus nazistas. Deveríamos é nos esforçar pra libertá-los dessas prisões que só alimentam suas dúvidas e minam sua auto-estima.

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  3. conhece as Católicas pelo Direito de Decidir? fazem uma discussão fortíssima, com foco nos direitos sexuais e reprodutivos. e estão sempre prontas a defender os direitos de LGBT, acho que é o grupo religioso que tem mais visibilidade e impacto político nessas questões, de longe, mesmo que o foco mais tradicional de atuação delas seja a questão do aborto.

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  4. Do Guardian de hoje: http://www.guardian.co.uk/world/2011/may/27/gay-conversion-therapy-patrick-strudwick?CMP=twt_gu

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  5. Adoro ver a palavra 'leigo' sendo empregada no sentido original.

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  6. Eu nunca vou conseguir entender porque algumas pessoas insistem um pertencer a uma agremiação que as considera uma abominação. Este é também o tema de um documentário feito pelo australiano Malcolm Burt, que é anunciado com uma frase espetacular: CRISTÃO HOMOSSEXUAL É UM OXÍMORO (mais detalhes aqui).
    Concordo com ele, acho que são duas coisas mutuamente excludentes.
    Muque de Peão

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  7. No dia em que esses religiosos disserem "não temos nada com a vida de ninguém, principalmente de quem não compartilha das nossas crenças", e não se envolverem em questões civis da sociedade, aí quem sabe vai dar pra conviver em paz com igrejas. Até lá, não passa de submissão (ainda que em nome da política) e uma luta pra ser aceito. Não acho que gays precisem do aval religioso pra nada.

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  8. Papai Urso do Interior27 de maio de 2011 12:56

    Supervaleu Tony, não conheço, mas vou correndo acessar, of course. Sempre disse e não é fazendo propaganda tipo 'vem pra missa vc também', que católicos são trocentas vezes mais tolerantes que protestantes. Até São Sebastião (que chamo carinhosamente de Sweet Sebastian) já foi consagrado em nossa causa e auxílio, isn't it cute? Existe prova maior de tolerância que essa em outras denominações? Não largo minha fé por nada, podem dizer que sou tratado como algo à margem, podem descobrir rede de padres pedófilos, pode o papa interferir politicamente e o escambau...

    O que sei é que o ritual católico me faz bem, estar numa igreja católica me dá paz, aconchego, coisa que não sinto em qualquer lugar... Rezo terços que é uma beleza, melhor que cigarro, acaba c/ qualquer ansiedade. Ainda acho que alguma fé é melhor que nenhuma, a gente pira se só crê no físico, visível palpável, líquido e certo... Não tem nada a ver c/ ser prayerholic ou catequizar tudo e todos, aí está nosso diferencial em relação às enrusti-crentes, ninguem precisa ser curado de nada. Vc chega do jeito que é c/ sua bagagem, a fé só pede um lugarzinho no seu coração, nada mais. Não existe isso de testemunho de ex-puta, ex-travesti, ex-usuário... Graças a Deus, o meu pleno de misericordia, justiça e sabedoria.

    Santíssimas tardes a todos que não atiram pedras, nem trollam gays católicos. Amém.

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  9. acredito que novas vias vao surgir...

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  10. Pois é, mesmo quem diz não ter fé (= confiança a partir de) tem fé em algo externo (grana, beleza, poder, intelecto), como se vê o que não cola é papinho de sem-fé, porque até pra não ter fé alguem tem que ter fé de não ter fé!! kkkkkkk... parece até diálogo dos Normais lá de 2003, mas como diz meu partner de cama e de missa dominical, fé e koo todos temos! Avante gay católico!! Tony de parabéns pelo espaço democrático sempre, doella a quien doella, afinal tem gay pra todo gosto e toda fé, mozamô. Ah tem pastor gay e crente gay tb, e pai de santo, e kardecista, e satanistas da magia negra... Whoever...

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  11. Pra mim o que é fascinante é ver como ainda existem católicos, evangélicos etc... Gente, vamo acordar pra cuspir!!! E parabéns atrasado. Destes anos todos já devo ler há uns 3.

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  12. a religião não é monopólio de quem comanda as igrejas, nem a fé. várias leituras da bíblia são possíveis e elas são dinâmicas, mudam o tempo todo. lgbt têm direito à religiosidade e a exercê-la! tem gente pra quem isso é importante e que tem brigado pra fazer igrejas 'inclusivas' ou para inserir o debate e visibilizar o dissenso, muito digno.

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  13. Papai Urso do Interior27 de maio de 2011 14:34

    Tb acho Isadora, veja essa frase "Pecado é tudo aquilo que não procede da convicção", ou seja se tenho convicção de que minha verdade irrefutável é gay não posso estar pecando, pecaria se mentisse ou mascarasse essa verdade! E de onde saiu essa pérola? Da Bíblia! Pastores ou padres citam versículos como este? Jamais! Se citassem teriam de explicar uma porção de coisas e nisso eles são péssimos porque devem obediencia às suas denominações... Antigo Testamento qualquer um sabe que não vale pois tratava-se de um código moral, um registro histórico de um povo (louco) e uma época e não propriamente do pensamento divino...
    Novo Testamento é espetacular, Jesus é muito 'divo', muito incinsivo, contundente em tudo que fala e faz, sempre reduzindo os fanáticos ao que eles são: hipócritas! Vibro pelo dia em que gays tenham essa visão própria de que são lindos, amados e que nada os faz menos ou à margem, do contrário sequer teriam nascido, como tb não teriam nascido raças diversas (afro, orientais, índios...).
    No filme O Auto da Compadecida ninguem atenta para o fato de que Jesus nunca usa a forma que nos é agradável, é justamente o contrário ele nos aparece sob as formas que desprezamos ou temos aversão (as minorias, eureka!). Na cena do julgamento, JC é negro justamente porque o protagonista vê nisso uma inferioridade, ao que logo ele retorque dizendo que isso é para confundir os hipócritas. Da mesma forma num post sobre o fim que não veio, Tony citou que crentes teriam surto ao ver que Deus é mulher, negra e lésbica, perfeito! Esse é o ponto, JC não é elitista, não tem essa de povo eleito e povo que perecerá. Devo desculpas ao Tony por me estender, mas fé é o que me move, acho vital e se hoje não tenho neuras e complexos devo muito disso às minhas proprias interpretações da Bíblia, mas respeito os agnósticos sem problema.

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  14. @Papai Urso do Interior -

    É, SUPER respeita:
    "Ainda acho que alguma fé é melhor que nenhuma, a gente pira se só crê no físico, visível palpável, líquido e certo"

    Teria sido mais honesto dizer "EU piraria sem fé nenhuma, se só acreditasse no físico, visível, palpável, líquido e certo". Por que, como demonstram pessoas que jogam aviões em prédios (ou que forçam a presidente da república a vetar uma campanha contra a homofobia), certamente quem tem problema é quem não tem fé, não é verdade?

    E AINDA bem que a medicina, a física e as ciências (e, idealmente, também o Estado) só lidam com o que é "líquido e certo", ou ainda estaríamos na Idade do Bronze.

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  15. Tão difícil conviver com opiniões opostas, diferentes, TODAS válidas, não? Chama-se liberdade sexual, religiosa, política... Ah a liberdade precisa de espírito livre, coisa que não é fácil de administrar... Continuem tentando, pessoal !!!

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  16. Jaimes, gostei muito desse seu último comentário. A gente deveria começar a fazer campanha para curar fanáticos religiosos. Isso sim é doença.

    Papai Urso, se todos religiosos fossem assim como você eu acho que eu poderia conviver numa boa com todas as religiões do mundo. Mas infelizmente acho que você é uma exceção, e mesmo que não seja a igreja não costuma dar voz a pessoas como você. Infelizmente.

    ivan

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  17. Bota assuntinho difícil esse...Ontem assisti "Prayers for Bobby", algo assim, que fala dessa coisa de religião + homossexualidade fazerem as pazes. Infelizmente a maioria das pessoas precisam acreditar em um ser superior, e por isso as religiões nunca deixarão de existir.

    Para a maioria das pessoas é extremamente difícil viver sem acreditar que haja vida após a morte, que vai encontrar um ente querido depois de morrer, ou que as coisas vão ser melhores na vida dela se ela rezar e ser gentil com deus.

    Viver não é fácil, mas prefiro a racionalidade mesmo arcando com toda deprê de ter que aceitar que só estamos de passagem, que náo significamos nada para o universo, e que a raça humana cedo ou tarde vai acabar ou evoluir para algo ainda mais complexo.

    A fé dá força as pessoas, mas é uma força interna, quase um placebo. "A religião é o ópio da humanidade."

    Mas focando no post: é um contra-senso ser gay e ser religioso.

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  18. Acredito que tenha glbts que lutam pela inclusão de poder viver sua homoafetividade dentro da igreja católica. Eu até os admiro, mas eu não tenho paciência. Pois a Igreja católica é bem clara: só aceita o homossexual e a lésbica se estes abdicarem de viver sua vida homoafetiva, ou seja se tornarem celibatários. Senão estarão em constante pecado contra a religião e princípios cristãos.
    Ou seja na igreja católica você homossexual é cidadão pela metade. Mesmo que você frequente um templo onde o padre te acolhe com carinho,você participa até da liturgia,etc. Se você for dialogar com ele sobre sua homoafetividade ele vai te dizer que tu és bem vindo desde que não pratique sua sexualidade senão estarás em pecado. Assim é que eles pensam ou são levados a pensar sempre. Mesmo que você faça vista grossa para isto e vai viver sua vida homoafetiva, o sentimento de estar traindo as normas fica lá martelando psicológicamente. Respeito os que assim querem mas eu não ficaria numa religião que me acolhe pela METADE.

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  19. Papai Urso do Interior27 de maio de 2011 18:31

    A QUEM INTERESSAR POSSA:
    1) Os aviões foram jogados por muçulmanos, lá eles creem no alcorão, só falei sobre cristianismo, mas pra vc deve dar tudo no mesmo já que se refere a religiões no geral, bate tudo no liquidificador e despeja ciência com sabor de arrogancia em cima pra tornar todo mundo ridículo! Mas isso é o que faz sentido pra 'voce' - usando mesma metalinguagem que 'voce', afinal mostra o quanto 'voce' respeita opiniões #Bolsonaro feelings!

    2) Fé não tem nada a ver com fundamentalismo praticado por protestantes, se Dilma acatou chantagem só deu provas que é inepta! Se estamos nessa é porque lobby prostestante chegou lá, lobby lgbt não! Igreja católica ou seitas protestantes não fazem divisão do orçamento federal, não decidem quantos por cento vai ser investido em educação que poderia sim sufocar a escalada evangélica (onde estado não chega, igrejinha tá lá, fato).

    3) Você prefere acreditar que carrega no seu genoma a essência ancestral - bela essência - de um símio (miquinho ou gorila, escolha vc) enquanto eu prefiro crer numa romantização de que estive no Éden e lá pelas tantas fui expulso por mau comportamento... simples assim... Não há porque pirar o cabeção!

    4) Até cientistas sentem, sentir não é físico, líquido e certo! Sentir ultrapassa ciencia, neurossensores, elevações de adrenalina, níveis de cerotonina, variações químicas e hormonais (tudo explicado porque a pelosa é urso, não burro) Tá vendo? Ainda não coseguiram isolar o 'sentir' do DNA, que pena né?

    5) Serei mais honesto dizendo 'Se eu sinto eu preciso de algo além do que vejo, algo sem explicações técnicas contidas nos manuais, logo não vivo sem ilusões que pra outros atendem por varios nomes'. Minha fé pra vc é ilusão... Uh la la! Vive la difference!

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  20. PARA PAPAI URSO DO INTERIOR(por que assim é MUITO mais honesto do que "a quem interessar possa"):

    Sua resposta é tão incoerente que eu nem sei por onde começar, mas vejamos:

    1) Sim, os aviões foram jogados por muçulmanos. Como você observou, joguei tudo no mesmo balaio. Como você NÃO observou (intencionalmente ou por que não viu), no meu primeiro post eu mencionei as religiões abraâmicas (a saber, cristianismo, islã e judaísmo), então SIM, VAI TUDO NO MESMO BALAIO.

    Até por que o cristianismo, todas as vezes que teve oportunidade, sempre foi tão bárbaro quanto o islã. FATO.

    E, veja só, ao contrário de você, eu deixei BEM CLARO que não respeito religião nenhuma. Não vim com um papo acusatório pra depois fechar com "mas respeito muito os agnósticos". "Detesto viado, mas não me chame de homofóbico".

    Você demonstrou que não entende nem a evolução, e nem o significado de metalinguagem. #Tiririca feelings.

    Fé tem TUDO a ver com o fundamentalismo praticado por protestantes (e católicos, e muçulmanos, e judeus, e...). É a RAIZ do fundamentalismo. Em que mundo você vive?? E é a justificativa usada por esses parlamentares pra coagir a presidente (sim, uma covarde, mas uma coisa não exclui a outra nem por um segundo) a fazer com que uma ação governamental fosse vetada de acordo com...veja só, A FÉ deles. Que, aliás, tem as mesmas raízes da SUA.

    E é por conta de gays COMO VOCÊ, que insistem em se curvar como gado diante de instituições e ideologias da Idade do Bronze que sempre tiveram o nosso extermínio em seus objetivos, é que essa pessoas ainda tem tanto poder e influência.

    Como bem disse o Luciano ali em cima, HOMOSSEXUAL CRISTÃO É UM OXÍMORO.

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  21. Papai Urso do Interior27 de maio de 2011 19:55

    Já que insiste e assim sendo MUITO mais honesto ao dar crédito a vossa tão digna e exaltada pessoa (#RaivaCaninaFeelings), James Figueiredo:

    Poxa se viver sem fé te faz tão bem por que essa zanga toda? Curte teu barato ateu e eu curto meu Jesus Cristo Superstar! Ou seria necessidade de afirmação? (perante o que? quem?) Desejo infantil de desacreditar o outro por pirraça?
    Não fiz canonização, nem catequização de nada... Minha fé é problema meu, se Dilma é burra, lavo as mãos (não votei nela, resume a ópera), não usei camiseta babaca com cara de Che, não troco ideia com 'cumpanhêros', não vou salvar a porra do mundo que desde sempre é errado, não vou mudar essa pátria corrupta que me pariu, nunca acreditei no projeto petista p/ o Brasil, assim como não acredito em quem ataca por atacar, vide seu caso (tem certeza que não foi mordido por um cãozinho raivoso? Vacina anti-rábica resolve, viu?!)
    Agora se já acordou mordido com todas as religiões, é simples e racional como toda ciência: faz uma maratona non-stop, vai em culto, missa, terreiro de candomblé, centro espírita e atira pra todos os lados se isso vai te fazer sentir melhor, o cara de Realengo devia ter mesma sensação em relação a escolas, daí o resto a gente já sabe no que deu... Boa sorte, que Deus não te ajude!

    Sheryl Crow tem musica na medida pra gente assim (como vc):

    "If it makes you happy
    It can't be that bad
    If it makes you happy
    Then why the hell are you so sad?"

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  22. também faço parte do time que acha bizarro - mas cada um com sua bizarrice, democracia é isso - insistir em fazer parte de um clube que rejeita a sua própria essência.
    parece aquela coisa de "negro de alma branca". você pode ser gay, desde que não pratique. não, obrigado!

    acho que muita gente que, por alguma razão qualquer, sente a necessidade de ter uma religião, acaba adotando a mesma postura de quando vai a um supermercado: pega só o que interessa na prateleira...

    ah.. e seria melhor ter um pouco mais de conhecimento sobre igrejas protestantes: evangélicos são apenas uma de suas vertentes (a mais visível no brasil). outras vertentes são MUITO mais liberais numa imensidão de temas que o catolicismo romano. Só pra ficar num bem básico: existe mulher no papel de padre? mas existe pastora (e rabina, monja budista etc etc.)

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  23. Ainda acho que deus é uma construção social. E como tal todo o resto é decorrente das criações humanas.

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  24. --- "acaba adotando a mesma postura de quando vai a um supermercado: pega só o que interessa na prateleira..." --- é a ideia de qualquer gay catolico, mas parece que falar disso pode começar uma guerra civil lgbt... triste um povo que sofre tanto com ignorancia e preconceito se recusar a ouvir e respeitar o outro, um contracenso, ía ate comentar ontem mas quando vi isadora e papai urso sendo tratados como débeis mentais, dei o fora!

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  25. Ninguem precisa justificar fé, se tem ou não tem, seria mesmo que alguem ter que justificar todo santo dia porque é gay e não hetero, tratar pessoa forma diferente por ele não seguir corrente predominante, nada a ver tb. Vergonha alheia define.

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  26. Beto, concordo 50/50, mas não vou te esculachar como fez o cara do comment acima com o tal do urso, respeito é tudo e todo mundo gosta --- Mas agora pensa comigo: a 'pastora' assim como sua versão masculina tambem é instruída a te chamar de 'aberração antinatural' e a querer te 'curar' em o nome do senhor, enquanto que um padre estuda pelo menos doze anos de psicologia antes de rezar missa, nunca vi padre chamando gay de monstruosidade, logo tambem falta informação sobre catolicismo... claro que crentes incluem mais segmentos (toda semana tem 'pastor gay' no show de baixarias da luciana gimenez), afinal eles são essencialmente caça-níqueis, vivem de campanhas --- 150 reais pro seu negocio prosperar, 200 p/ vc ter sorte no amor --- ... Coisa que pouca gente sabe: dízimo católico é sugerido, dízimo protestante é grosseiramente imposto, fato.

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  27. Gay Teachers League28 de maio de 2011 18:17

    Culpar religião por tudo de ruim que nos assola é simplista d+, motivo real do povo escolher maus políticos e dar poder p/ charlatães da fé não é pura e simplesmente falta de educação? falta de investimento em educação? EUA tb tem evangélicos mais até que brasil e é lá tb que fica San Francisco, foi lá que estourou revolta de Stonewall que deu origem ao movimento gay moderno nos moldes do que hoje se conhece no mundo inteiro, lá existem gays religiosos tb, mas lá educação "liberta" mais mentes que religião.

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  28. Li outros comments de James Figueiredo e cheguei a conclusão que ele já entrou aqui loucão >>>>>>>

    "Todas (veja bem, TODAS) as religiões abraâmicas são nossas inimigas."

    "Gays religiosos são como...sei lá, judeus nazistas."

    "pessoas que jogam aviões em prédios (ou que forçam a presidente da república a vetar uma campanha contra a homofobia), certamente quem tem problema é quem não tem fé, não é verdade?"

    "eu mencionei as religiões abraâmicas (a saber, cristianismo, islã e judaísmo), então SIM, VAI TUDO NO MESMO BALAIO."

    "eu deixei BEM CLARO que não respeito religião nenhuma. Não vim com um papo acusatório."

    Se ele não tava pregando peça ou fazendo tipo, se for real, então temos Bolsonaros em todas as esferas, inclusive lgbt... Pra ser reacionário basta negar ao outro o que a gente espera pra si!

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  29. wilsonsl9@hotmail.com28 de maio de 2011 19:41

    Espero que assunto de espiritualidade e gays se torne recorrente no blog. sempre tive inclinação religiosa voltada totalmente para o catolicismo. No meio te tudo isso, entrei no seminário em 1999 (a pior burrice da minha vida). Meu quadro de doença psicológica piorou drasticamente depois dessa vergonhosa, calamitosa e vexaminosa experiência (foi para mim um segundo bulliny). Perdi o equíbrio e até a sanidade. Depois do furacão, reavalie erros prossegui meu tratamento, que está ligado também do choque entre meu catolicismo e sexualidade... Resolvi viver a minha vida com todas as contradições e oposições que os conceitos católicos possam ter contra mim.
    Claro que levo uma vida mais reservada e mais dedicada a igreja e a minha vivência gay é praticamente nula. Filmes e blogs é o meu contato com o que acontece no meio gay por não negar que a questão me emociona e me é sensível. Deixo meus anseios românticos para lá e sigo em frente. Um dia, meu irmão me perguntou do porque eu insistir no catolicismo. As vezes penso sobre isso e sei a resposta, e não é só a preocupação de onde passarei a minha eternidade, mas é que eu bem sei que o catolicismo estará sempre presente na minha vida (pelo que conheço de mim). Não sei se é psicológico, metafisico ou qual outra origem possa ter, só sei que me acompahará até o meu último suspiro, já a questão gay, não.

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  30. Pois, até que Deus me prove em cartório com firma registrada que cedeu seus direitos autorais e de representação na Terra para algum dos MUITOS grupos de espertos que dele se arvoram porta-vozes, minha ligação com Deus é particular e ninguém tem a menor porra de se meter no meio ou julgar coisa alguma.

    Não preciso (e não vou) pedir licença a ninguém (padre, pastor, pai de santo, mediun, aiatolá, etc) para poder acreditar ou desacreditar de Deus a meu bel prazer.

    Quanto ao assunto do post, eu li toda a manifestação do grupo Católicas pelo Direito de Decidir em carta aberta à Dilma e é um texto primoroso que recomendo a todos que leiam.

    http://www.catolicasonline.org.br/ExibicaoNoticia.aspx?cod=1351

    E queridos, já cansei de dizer: esqueçam os católicos, o INIMIGO MORTAL são os evangélicos.

    Esses não vão largar o osso fácil do preconceito contra o homossexual porque sabem que mobiliza rápida e facilmente as ma$$A$ inculta$$$$$.

    Tenho pra mim que essa turma de pastor (que deve ter muita enrustida no meio) no fundo não está nem aí pra gay, lésbica e traveco. O que intere$$a é manter o circo rendendo $$$$$$

    E pa$$A A $ACOLINHA $$$$$$$$$

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  31. Querido Tony,

    Como sou sua “seguidora” no Google, vi ontem mesmo que você havia publicado este post a respeito do Diversidade Católica. Fiquei muito tocada pelo seu carinho e lisonjeada com suas palavras. Entretanto, dei uma rápida olhada nos comentários e dois me chamaram muito a atenção.

    Primeiro, o do Papai Urso do Interior: querido Papai Urso (nunca na minha vida pensei que fosse ter algum dia a chance de escrever essas três palavras em sequência, kkkkkkk), fique inteiramente à vontade para entrar em contato conosco quando quiser. Realizamos reuniões quinzenais, entre outras atividades, e será um prazer recebê-lo ou apenas conversar um pouco, conforme você quiser ou precisar. Para entrar em contato direto comigo, escreva para contatoblogdc@gmail.com, ok?

    Depois, li o comentário do James Figueiredo. Demorei para escrever de volta porque estava pensando no que responder. Peço desculpas desde já pela longa resposta, mas não consegui fazer diferente, dada a importância do tema.

    Essa resposta é importante porque você, James, não é o único a pensar assim, e te agradeço muito por ter exposto a sua opinião. Confesso que li apenas os seus dois primeiros comentários. Vi que a discussão entre vc e o Papai Urso continuou, mas não pude ler com atenção porque estamos às voltas com os preparativos para a Caminhada por uma Educação sem Homofobia (informações aqui: http://bit.ly/iQKK9l), que tivemos a iniciativa de organizar junto com a Comunidade Betel (http://www.betelrj.com/), outro grupo de cristãos gays, e que vai acontecer amanhã aqui na orla do Rio, com concentração às 10h, no Posto 9, em Ipanema, com a presença do Deputado Jean Wyllys e outras lideranças LGBTs. Por conta disso, estamos meio assoberbados e não pude dar a este debate aqui a atenção que merece. Espero que entendam, mas peço desculpas mesmo assim. :-)

    De todo modo, gostaria de sublinhar alguns pontos importantes a respeito deste tema, que talvez às vezes não fiquem claros para todo mundo.

    Primeiro, religião e espiritualidade são coisas distintas. É muito comum as pessoas se esquecerem disso. Religião tem a ver com sistemas mais ou menos institucionalizados de expressão de uma determinada crença, estruturados ao longo do tempo, da história e das transformações culturais de um determinado povo ou grupo social. Em parte, é uma forma de expressão da espiritualidade tanto de cada membro desse povo ou grupo quanto do grupo em seu conjunto, mas envolve muitos outros fatores de ordem social e cultural também.

    Já espiritualidade tem a ver com a necessidade humana de transcendência, isto é, de atribuir um significado à sua existência, um sentido à vida, um propósito à sua presença aqui e agora. Trata-se do conjunto de respostas que cada um procura dar àquelas perguntas que nos fazemos desde crianças: de onde vim? Para onde vou? Por que estou aqui? Para que estou aqui? Qual o sentido de tudo isto? Cada um encontra suas próprias respostas distintas, mas em geral todos nós nos deparamos com essas perguntas, e não sossegamos enquanto não encontramos uma resposta – embora seja comum também as respostas irem mudando ao longo da vida, mas isso já é uma outra história... :-)

    (cont.)

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  32. O que acontece é que nós do Diversidade Católica encontramos no credo cristão, e especificamente na forma católica, a maneira com a qual mais nos identificamos para expressar nossa espiritualidade. Isso significa que o que dá sentido às nossas vidas é a mensagem evangélica de amor e serviço ao próximo, à luz de um Deus que é Pai e ama a cada um de seus filhos de maneira irrestrita e sem condições. E mais: o fato central e específico da nossa crença é que Cristo foi Deus encarnado como homem. Um Deus que se faz humilde e serviço aos seus filhos amados; que por amor se reduz à forma humana, por amor prega uma doutrina revolucionária, desmascarando todas as hipocrisias dos poderosos e da elite religiosa de seu tempo, e por amor aceita ser morto por essas pessoas, a fim de levar às últimas conseqüências sua mensagem de amor, humildade e não-violência. E, por amor, vence a morte e ressuscita, deixando-nos uma mensagem de esperança de que, por pior que as coisas seja, no fim, Ele a tudo supera. (Se quiser se aprofundar nesse tema, dê uma olhada em “A Cruz: suplício ou esperança?” [http://bit.ly/fHmUXK] e “No sofrimento, Deus luta pela vida e solidariza-se com aquele que sofre” [http://bit.ly/ik7jsb])

    Desculpe, James, esse breve resumo da nossa profissão-de-fé, mas ele é importante para explicar que a crença na encarnação de Deus na figura do Cristo tem uma conseqüência fundamental para os cristãos: o fato de que é no humano, e não em uma imagem de Deus, qualquer que seja ela, que encontramos a transcendência, isto é, o significado último da nossa existência. É no serviço ao Outro que encontramos sentido. O projeto cristão, em sua origem, não é um projeto religioso (veja “O Cristianismo: uma religião ou a saída da religião?” [http://bit.ly/jcol2A]); não é sequer um projeto de fé. É, antes de tudo, um projeto ético. (A esse respeito, dê uma olhada em dois artigos que publicamos esta semana, de um teólogo espanhol: “Deus não está na fé, mas na ética” [http://bit.ly/lwoYhc] e “Estamos procurando Deus nos lugares errados” [http://bit.ly/kVfXt7]).

    Chego então ao segundo ponto que gostaria de sublinhar: você certamente conhece cristãos cujas palavras e atos não têm nada a ver com o que acabo de expor – eu conheço muitos. Talvez até sejam a maioria. Ocorre que, ao longo desses dois mil anos de história, à medida que a história do cristianismo se misturava à história da Igreja e esta, à história do poder no Ocidente – taí aquela distinção entre espiritualidade e religião, viu? – foi se consolidando uma imagem de Deus que de certo modo se distanciou da mensagem evangélica. Por influências culturais – a absorção da doutrina estóica nos primeiros cinco séculos de nossa era, por exemplo, trouxe essa visão do corpo e da sexualidade como algo impuro, quando esse não era em absoluto um elemento original do cristianismo – e históricas – a desintegração do Império Romano, por exemplo, que alçou a Igreja à posição de centro agregador da cultura e da estrutura social da Europa Ocidental na Alta Idade Média –, consagrou-se a imagem de um Deus identificado com o poder, e, de roldão com esse poder, veio a imagem de um Deus que julga, que oprime, que impõe ao homem o que é certo ou errado. Ou seja, um Deus que é um monarca totalitário e autoritário, profundamente humano, e que tem a importante função social de justificar as humanas estruturas de poder de seu tempo. Justamente a imagem e função de Deus tão criticada por Cristo em seu tempo. E justamente a antítese, portanto, do cerne da mensagem evangélica.

    A questão é que, com o advento da ciência, esta nos fez o favor de desvincular da religião a prerrogativa de todo o saber sobre o mundo e explicação da vida. O que é ótimo, porque embora essa função tenha tido sua importância num determinado momento histórico, hoje a ciência a cumpre muito melhor. E pode restar à religião concentrar-se na espiritualidade – e esta, por sua vez, naquilo que só ela faz: dar conta da necessidade humana de transcendência.

    (cont.)

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  33. O problema é que ainda existe por aí aquela imagem de Deus opressor etc. E essa imagem é cada vez menos satisfatória, tem cada vez menos a ver com os anseios do coração humano. Daí o êxodo que as religiões mais institucionalizadas, especialmente os cristianismos, vêm sofrendo: porque essa imagem de Deus simplesmente não serve mais. Ou melhor: para alguns, serve. Há quem queira um Deus assim. Há quem procure justamente um Deus que lhe diga o que fazer, que diga o que é certo e errado, simplesmente, e lhe dê a segurança de que, se a pessoa fizer o que é certo e não fizer o que é errado, vai ganhar um prêmio, nesta vida ou numa outra depois. Você certamente conhece pessoas assim. Eu conheço pencas.

    É com base nessa visão dualista de “isso é certo” vs. “isso é errado” que os fundamentalistas atacam a nós, gays. Nós “somos” errados e pronto. É uma visão de mundo muito simples e cômoda, mas também profundamente opressiva e esmagadora. Considerar que uma relação humana, hétero, homo ou o que for, pode ser saudável ou não dependendo das escolhas dos envolvidos é muito mais complicado e difícil – mas também muito mais libertador – que simplesmente pensar que “hétero é certo” e “gay é errado”. Quer saber? Perdem muito mais eles do que nós.

    Terceiro – e, pra mim, o mais importante (embora raramente as pessoas não-religiosas levem esse fator em consideração ao nos dirigirem críticas como as suas, James): assim como a orientação sexual, a pertença religiosa é um aspecto inerente à identidade de cada um; como tal, não se trata de uma escolha. Por fatores da história de cada um talvez tão inescrutáveis quanto os motivos que fazem com que alguém seja gay, o fato é que algumas pessoas são cristãs. Algumas, especificamente católicas. Nós somos católicos. E gays. E não há nada que possamos fazer a respeito. Muitos de nós já tentaram “deixar de ser” católicos. Alguns “deixaram de ser” gays, também. Não funcionou. E foi MUITO libertador quando esses puderam se dar o direito de ser gays, de ser católicos. De ser o que são, em suma. (Mais dicas de leitura: “Permanecer e transgredir” [http://bit.ly/ehhQ6y] e “Ficar ou sair da Igreja?” [http://bit.ly/ejT86F])

    Confesso, James, que me preocupa muito ler “deveríamos é nos esforçar pra libertá-los dessas prisões que só alimentam suas dúvidas e minam sua auto-estima”. Desculpe, mas isso me soa tão parecido com a lógica de “ser gay não é bom pra você, precisamos te ajudar a deixar de lado isso que te faz muito mal”! Não seria mais profícuo um exercício de respeito e tolerância à diferença, mesmo quando a gente não consegue entender a diferença do outro?

    (cont.)

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  34. Por fim, o quarto ponto que eu gostaria de salientar: Igreja nenhuma, instituição nenhuma é um corpo único, com uma só voz. Nisso, James, discordamos inteiramente... A Igreja não é o Magistério, o clero, mas todo o corpo dos fiéis, cada qual com sua voz – e é uma verdadeira multidão de vozes. Nem mesmo o Magistério tem uma voz única. Tome-se, por exemplo, a recente atitude da Igreja no Brasil em relação ao julgamento da união estável gay no STF: enquanto a CNBB se preocupava em mandar um advogado para falar contra a aprovação (ai, sou humana: intensos frêmitos de vergonha alheia), existe uma infinidade de cristãos, católicos ou não, que defendem os direitos civis gays. Veja os seguintes exemplos: “A Igreja de peito aberto para as minorias” [http://bit.ly/iuVLHV]; “As vozes da Igreja” [http://bit.ly/jOgh1E]; “Padre coordena grupo que lançou consultoria online para público LGBT” [http://bit.ly/jAZ180]; “‘Não vamos fazer nenhuma cruzada’, diz bispo em SP sobre união gay” [http://glo.bo/lbscbS]; “Os gays e a Bíblia” [http://bit.ly/k25Kmu]; “Os gays entram nas igrejas” [http://bit.ly/loLYJu]; “A Igreja de portas abertas para as vítimas da homofobia” [http://bit.ly/mia3uU]; “Católicos pela igualdade matrimonial” [http://bit.ly/lA6tme]; “União estável homoafetiva, um direito conquistado” [http://bit.ly/lWGRcg], entre muitos outros.

    A mesma Igreja que tantas atrocidades perpetrou ao longo da História (e perpetra ainda, inegavelmente) em nome de “Deus” (entre aspas porque é aquele Deus opressor cuja imagem serve apenas à perpetuação de estruturas humanas de poder, sem nada a ver com o Deus da mensagem evangélica) é a mesma que produziu Dom Helder Camara, José Comblin, Zilda Arns, Josimo Tavares, Oscar Romero, Dorothy Stang, Frei Betto, Leonardo Boff; os agentes da pastoral da AIDS, da pastoral da terra – que vêm sendo silenciosamente martirizados no norte do país – e tantos outros que colocam o amor e o serviço ao próximo no centro e acima de suas próprias vidas.

    Assim como a sexualidade ou qualquer outro aspecto da vida humana, também a espiritualidade pode ser vivida de formas mais ou menos saudáveis. O cristianismo praticado de maneira positiva, James, é menos uma questão de fé e mais uma questão de valores, de uma espiritualidade madura e de uma ética sólida, que tira o ser humano do egocentrismo e o coloca numa relação aberta e responsável com os irmãos.

    Mais uma vez, a quem chegou até aqui, me desculpem pela extensão da resposta, e obrigada pela paciência. Especialmente a você, Tony, por me ceder este espaço.

    A todos – Tony, James, Papai Urso e os demais – fiquem com a graça e a paz de Cristo. Um domingo luminoso para todos.

    Um abraço carinhoso,

    Cristiana
    Equipe Diversidade Católica

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  35. @lilo: pastor/a não se restringe aos evangélicos radicais de igreja-me-dá-10%-do-seu-salário-mínimo-ou-do-seu-salário-de-craque. há denominações protestantes tradicionais (metodistas, luteranos etc), algumas anos-luz à frente da igreja católica em termos de direitos da mulher e gays. sei que há seminários, mas não tenho ideia quanto tempo estudam.

    me parece ingênuo achar que NENHUM padre católico JAMAIS falou uns absurdos similares sobre gays. Uma fração de segundo no google já rendeu essa pérola de um padre em uma revista católica:

    "Muitas pessoas se tornam homossexuais por um requinte desenfreado de luxúria. Querem ter novas "experiências" nessa matéria, embora antes fossem perfeitamente normais, ou seja, heterossexuais de tendência e de prática. Isto constitui um pecado ainda mais grave, pois não se trata apenas de uma concessão à tendência desregrada e antinatural que porventura a pessoa já tivesse, mas sim da procura deliberada de um pecado contra a natureza, em busca de novas sensações torpes e vergonhosas, severamente proibidas por Deus."

    tb acho que pularam a parte onde eu disse que cada um com sua bizarrice. não sou ANTI católico, ANTi evangélico ou o que for. então, eu fico com as minhas bizarrices; os religiosos com as deles. e cada um feliz a seu jeito.

    eu prefiro viver a minha vida NÃO-"perfeitamente normal" e com "sensações torpes e vergonhosas", sem ter que carregar culpa por isso ou fazer malabarismos mentais para tentar conciliar tudo. de novo, cada um com sua escolha!

    sobre o supermercado: me parece ser uma versão religiosa do tão difundido conceito de que a lei é só para outros.

    sobre religião em geral, em um aspecto eu gosto mesmo do judaísmo: não há proselitismo. não há aquela encheção de saco do cristianismo, islamismo, testemunha de jeová etc para converter os outros.

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  36. Beto: respeito seu ponto de vista, mas não arredo do meu. Como vc falou todos são felizes com suas bizarrices cabe a nós, se não entender, pelo menos respeitar. Parece que nisso concordamos, o que ja é ótimo pois é um começo de algo positivo.

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  37. Roberto SP: com vc em genero, numero e grau, "já cansei de dizer: esqueçam os católicos, o INIMIGO MORTAL são os evangélicos." [2]... Curto, grosso e brilhante!

    Não são parlamentares xiitas “católicos” que tentam barrar leis que vão sim deter o extermínio do qual gays e lésbicas são expostos 24h/dia como se a gente não tivesse direito de existir e andar em vias públicas! Adorei comentários do wilson, lilo, anonino inspiradíssimo das 16:33, isadora e papi urso que já sabia que era católico de outros comentários. Nós católicos não podemos ter vergonha da nossa fé, mesma forma que não temos de esconder quem quer que seja o fato de sermos gays. Tanta gente-cabeça esquece que diversos artistas lgbt ou não, personalidades humanitárias como disse cristiana do comunidade diversidade católica, são católicos assumidos, não vejo ninguem jogar pedra ou ofender o U2 por eles serem católicos praticantes, a fé deles não os obriga a atos fundamentalistas de discriminação gratuita e incitação da violência lgbt, muito pelo contrário apóiam, ou seja não precisam seguir as determinações católicas sobre o tema. Digo e repito – segregação, bullying e agressão – sempre partiram de protestantes, faz favor. Malafaia já chegou a espalhar 600 outdoors, com que intuito? Segregar gays e desconsiderar que possamos ter família igual a qualquer hetero! O povo anda com memória curta... Recentemente padre sofreu censura de seus superiores porque usou seu sermão para elogiar decisão do STF. Parece que por já terem sofrido na infancia e adolescencia com questões religiosas, maioria dos gays quer mesmo é empurrar tudo que é religião junta num mesmo buraco de obscurantismo e decretar que é assim com todas as fés e acabou-se, isso é muito reacionário mesmo, Deus me livre! Passado com algumas coisas que li, mas deixa pra lá... Ninguem muda ninguem, mas todos DEVEM se respeitar pelo menos.

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  38. tony parabéns por juntar tantos comentários interessantes ...

    sou mais resumido:
    educação libera, religião condena
    razão e fé não combinam.

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  39. Não sei de quem é a frase, mas acho que um homem precisa de religião assim como um peixe precisa de um aquário...

    Espero que ela(deus, no mínusculo mesmo) tenha preocupações maiores do que as várias e infinitas possibilidades do ser humano amar e ser amado.

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  40. @lilo: exato: concordar em discordar. e em nenhum momento achei que alguém mudaria de opinião, nem eu, nem vc - quanto mais num caso de fé.

    sobre católicos X evangélicos. não sou idiota, sei muito bem o mal que evangélicos fazem à causa gay e outras coisas - mas isso não quer dizer que TUDO que façam seja perverso. e não são os únicos a serem assim.

    do mesmo jeito, acho muitos católicos extremamente preconceituosos contra evangélicos (tipo, "minha religião é melhor que a sua"), convenientemente esquecendo de muitas posições até hoje defendidas pela igreja católica. só pra ficar em duas:

    parlamentares católicos tendem a se aliar aos evangélicos quando aparecem questões como casamento gay e similares no congresso.

    e quem foi mesmo que mandou aquele advogado patético para falar no STF contra uniões do mesmo sexo? Ao que eu saiba, a CNBB não é uma entidade evangélica... e, aí, como fica? voltamos ao supermercado?

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  41. Não li todos os comentários, mas vi opiniões contrárias sobre o fato de um indivíduo ESCOLHER no que acreditar.

    O que percebo é que pouco se sabe sobre o mundo gay católico. Parece mesmo um mistério, até porque não é outra coisa que Mistério.

    Ocorre é que os gays católicos estão vindo com uma força que chega a surpreender. E não é recente esse movimento. Há mais de dez anos o Gay Católico era uma comunidade luso brasileira de peso que chegou a ser banida do YahooGroups, imagina...

    Aqui tem uma matéria com o jesuíta Luís Corrêa Lima, responsável Diversidade Católica.

    http://gaycatolico.wordpress.com/2011/03/16/quando-deus-ilumina-o-homem/

    Em Portugal, o grupo Rumos Novos é muito atuante. Nos EUA e Canadá, dos mais antigos, grande e forte, o Dignity. As Católicas pelo Direito de Decidir tem uma tradição que abala estruturas.

    Quem pensa catolicismo pensa Cardeal Bertone. Claro que fica uma impressão péssima olhando assim.

    Aqui vocês poderão conhecer uma pesquisa americana séria que descobriu que os católicos são mais pró LGBT que a população em geral. Surpresos? Então vejam:

    http://gaycatolico.wordpress.com/2011/04/07/eua-pesquisa-bombastica/

    É óbvio que a imagem que os purpurados passam é outra, até porque o Vaticano é lento nesse assunto. Mas a coisa vai mudar, e logo. Na Alemanha, em setembro próximo, o Papa terá que enfrentar um enorme grupo de teólogos católicos que estão dando dor de cabeça do mesmo tamanho ao Magistério Católico. Teme-se inclusive um cisma maior que o Cisma.

    E por quê? Veja aqui:

    http://gaycatolico.wordpress.com/2010/09/06/o-papa-e-gay-e-dai-qual-e-o-problema/

    E por aí vai...

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  42. Querido Benjamin Bee,

    suas colocações são muito pertinentes e suas referências, riquíssimas... obrigado! :-)

    Gostaríamos apenas de esclarecer um detalhe: o Pe. Luís Correa Lima não é o responsável pelo Diversidade Católica... Somos um grupo de leigos e, embora o Pe. Luís seja uma figura preciosa, que amamos ter por perto, ele é só (como se fosse pouco! rs) um grande amigo, e uma grande inspiração. :-)

    Um forte abraço!

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  43. Valeu, Cristiana. Agora quem agradece o esclarecimento sou eu. Eu dava como certa a responsabilidade de guia espiritual do Pe Luís.

    De qualquer modo, a importância do Diversidade Católica é tão grande que ultrapassa o who's who no grupo.

    Também agradeço a você e agradeço ao Tony por nos permitir alguns esclarecimentos sobre um tema crucial à comunidade LGBT.

    A Igreja Católica fez a tábula rasa das outras confissões cristãs ao longo dos séculos contra a homossexualidade, e ao meu ver continua fazendo. Por isso a importância de se saber que há dentro dela um forte movimento que se opõe a essa injustiça religiosa.

    Injustiça que se agrava com a cúpula da cristandade insistindo em minar e destruir a laicidade dos Estados, usando do atavismo heteronormativo e sentimento de anti diversidade no sentido de receber apoio das sociedades como um todo.

    A sociedade brasileira ainda não se deu conta da imprescindibilidade do Estado Laico e a comunidade LGBT por sua vez não percebeu que o emblema dessa laicidade somos nós. Por conta disso a sociedade civil democrática não vem sendo convocada como deveria ser, ficando a mercê dos poderes religiosos.


    Benjamin

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  44. Obrigado Tony pelo post, o descobri por causa do fluxo de visitas que o Ex Hetero recebeu, vindas do seu blog. Fiquei muito feliz e lisonjeado!
    Comecei ler alguns comentários aqui mas fiquei um pouco assustado com alguns equívocos, provavelmente provocado pelo preconceito (ao ter lido o meu blog de forma superficial ou de tirar uma conclusão sem nem visita-lo, apenas por ter lido o seu post).
    Gostaria de esclarecer que assim como muitos aqui, eu também não entendo e fico indignado com a forma masoquista que alguns gays preferem viver dentro das tradicionais igrejas evangélicas e é justamente esse o objtivo do blog, tirar esses GGs (gays gospel como chamamos no blog)desses sistemas.
    Apesar disso nem todos preferem renúnciar sua fé (em deus e não na igreja) e muitos sentem falta do convívio e do status social que uma igreja lhes oferece e por isso incentivamos que eles busquem grupos que pregam a chamada "teologia inclusiva" ou igrejas tradicionais que já estão ampliando sua visão para uma aceitação e que faz uma leitura menos literal da bíblia e aceita a homossexualidade como algo normal.
    Portanto, de forma alguma nosso blog defende ou faz apologia aos gays se submeterem ou aceitarem a homofobia religiosa dos fundamentalista, pelo contrário é isso que combatemos.

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  45. Papai Urso do Interior31 de maio de 2011 17:33

    Putz... Rendeu hein?!? Corroboro com Benjamin Bee, não só pouco, mas pouquíssimo se sabe sobre o mundo gay católico, mas o pior é que o mistério tende a continuar... Quando alguem quer romper tabu e abrir diálogo franco about, tem sempre o clássico:

    "Cara, odeio jiló!
    - Mas vc já provou jiló?
    - Não! Só sei que odeio!
    - Ora, vamos, experimente...
    - Não, obrigado, já disse que odeio jiló!"

    Acostumadíssimo a isso... urso véio nessa floresta dividida em guetos, detecto tons de desaprovação há quilômetros, tenho rejeitômetro sobre isso, se não me querem por perto por ser católico, não merecem sequer o meu bom dia, nisso já me resolvi há mais tempo que ser gay. MEDA de gente que rotula produto antes de abrir a embalagem. Creda, como assim gay e católico? [sobrancelhas caídas em sinal de dó, pena, nojinho disfarçado], sai dessa, logo vc tão ... elogios...

    Tenho medo de qualquer hora dessas ser levado a um laboratório e dissecado que nem um inseto (vâmo-vê os miolos dessa pelosa tagarela, pessoal, não pode ser possível...) Tem dias, dependendo do ambiente, que sofro menos homofobia que religofobia, não é incrível? Se fosse uma guei sensível (fora de cogitação) já tinha cortado os pulsos 'causa das zamigues que se sentem excluídas do paraíso e querem me punir por eu não sentir o mesmo - psicologia explica - , mas o urso é parrudo, eu aguento o tranco, ô se aguento...

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