terça-feira, 10 de novembro de 2009

BUDA-PLAST

O Rio ainda tem a fama de concentrar os melhores cirurgiões plásticos do mundo, mas Budapeste está tentando roubar essa coroa. A cidade sediou em outubro o concurso de “Miss Plástica Hungria”, onde, ao contrário de muitos certames do gênero, as participantes são obrigadas a terem entrado na faca em algum momento de suas vidas. O objetivo era chamar atenção para a crescente indústria húngara da cirurgia plástica, que oferece operações aos preços mais baixos da Europa. Claro que o evento provocou polêmica, pois as candidatas desfilaram praticamente nuas e sem jamais proferir uma única palavra. Pois eu acho isto ótimo: é sempre um alívio não ouvir uma miss discorrendo sobre a paz mundial.

O REICH CONTRA-ATACA

Juro que eu já estou enjoando do assunto Uniban. Mas como o dia está meio devagar, aqui vai o inevitável vídeo com uma cena legendada de "A Queda". Incrível como esse filme se presta a absolutamente qualquer coisa, não? Lá em seu esconderijo no Pólo Norte, Hitler deve estar dando risada. Ah, e para entender a piadinha final: o Cardoso a quem os nazistas se referem é o blogueiro que cometeu esta gracinha.

UNIVERSIOTÁRIOS

E o episódio Geisy/Uniban continua rendendo. Os alunos trogloditas, que ainda defendem a expulsão da moça, não se deram conta de algo que a própria direção da "universidade" demorou a perceber: daqui para a frente, ter cursado a Uniban virou uma mancha no currículo. Alguém vai levar a sério um formado nesta prestigiosa instituição de ensino? O pior é que deve ter muita gente legal por lá (deve), mas agora foi todo mundo levado de roldão por essa lama negra que engoliu a facul. Mais seriedade, rapazes - é apenas o futuro de vocês que está em jogo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CONVERSA DE SURDOS

Fico pasmo toda vez que lembro que o Sílvio Santos do "Pânico" precisa da "autorização" do verdadeiro para imitá-lo na TV. Isto é coisa de país atrasado, onde a liberdade de imprensa ainda não é um fato consumado. As celebridades brasileiras não suportam ser satirizadas. Clodovil, por exemplo, processou Deus e o mundo, mesmo sendo um prato cheio para qualquer comediante - e impiedoso com quem quer que fosse. Teria muito aprender com Marlee Matlin, a única atriz surda a ganhar um Oscar. Marlee volta e meia é vítima de piadas sobre sua deficiência no "Family Guy". Ao invés de ameaçá-los, ela participou do especial de TV dos criadores do programa. E ainda tirou sarro de Alex Brostein, que a dubla no desenho. "Eu deveria fazer minha própria voz", disse Marlee mais tarde à revista "Entertainment Weekly". "Afinal, eu tenho um Oscar, e Alex não tem". E ainda mandou os politicamente corretos se preocuparem com coisas mais sérias. Nada melhor que a capacidade de rir de si mesmo.

(Mudando de assunto, mas ainda relativo ao vídeo aí em cima: não é mesmo impressionante a longevidade de "Poker Face"?)

BALANÇA PRA FORA, IRMÃ

Quem já era muderno na virada dos 80 para os 90 certamente gostava do Swing Out Sister, uma dupla inglesa de estilo meio retrô. Aliás, o bom de ser retrô é que não se fica datado: depois de alguns anos fora de circulação, o SOS ressurge com um CD que poderia ter sido feito em qualquer momento das últimas décadas. A voz de Corrinne Drewery continua bonita como antes, e sua foto na capa, bem malandramente, não entrega o menor sinal de envelhecimento. Este só é sentido quando se ouve o disco: "Beautiful Mess" é mais relaxado, mais lounge que os primeiros trabalhos. Até mesmo "Breakout", o grande sucesso da estreia, reaparece num arranjo bem mais lento. Vai ver que é o reumatismo que não deixa mais o Swing Out Sister balançar para valer.

AS RUÍNAS DO MURO

Os soviéticos esperavam que a proverbial eficiência germânica transformasse a Alemanha Oriental no melhor exemplo de estado socialista bem-sucedido. O que os alemães conseguiram foi criar um aparelho repressivo ainda pior que o da URSS. A República “Democrática” da Alemanha era uma prisão a céu aberto, e o Muro de Berlim era seu logo: a cristalização perfeita de um sistema cruel e desumano, e um pararraios do descontentamento ao seu redor. Neste sentido, talvez falte um símbolo como ele para apressar o fim do regime cubano, por exemplo.

Hoje se comemoram os 20 anos da queda do Muro. Foi só o evento mais emblemático do furacão que varreu a Europa no final de 1989. A perestroika de Gorbachev saiu pela culatra, e, ao invés de renovar o comunismo, conseguiu enterrá-lo mais rápido. Para mim o ponto alto desse processo foi o fuzilamento sumário do infame Ceausescu, o sanguinário ditador da Romênia. Mas Berlim, por sua história e importância, concentra a maior carga simbólica.

A integração da Alemanha ainda não terminou, o que serve de pretexto para duas linhas diferentes de críticas babacas: a que prega que as coisas eram melhores durante o comunismo, e a que se queixa que os orientais não atingiram o paraíso material num piscar de olhos. Tudo bobagem. Ninguém em sã consciência pode ter saudade do Muro de Berlim, não importa sua filiação política. Hoje é um dia para se celebrar. E também para lembrar que ainda faltam cair o muro que separa palestinos e israelenses, as cercas eletrificadas da Coreia do Norte, o apartheid informal que vigora no Brasil, e assim por diante.

(Tenho dois pedaços do Muro de Berlim em casa. Meu marido Oscar passou o Natal de 89 na cidade, e conseguiu arrancar uma lasca e um vergalhão das ruínas. Devem valer uma fortuna no eBay.)

domingo, 8 de novembro de 2009

O MEIO-NAMORO

"500 Dias com Ela" vem sendo saudado como uma comédia romântica inovadora, porque fala de algo comum na vida mas raro no cinema: o meio-namoro. Sabe aquele relacionamento em que um está perdidamente apaixonado e o outro não quer nada sério? Já participei de vários, nos dois papéis. Aquele clima não-trepa-nem-sai-de-cima - quer dizer, muitas vezes trepa, como o casal do filme, mas a coisa não "evolói". Onde "500 Dias" peca é justamente no quesito comédia: faltam piadas, que talvez o elevassem ao nível de um "Harry & Sally", para mim a obra-prima do gênero. Há um número musical que traduz perfeitamente a sensação de estar embriagado de amor, mas queria ter rido mais. É porque talvez o meio-namoro não renda mesmo muitas risadas: no fundo, não é bom para ninguém.

EXPULSA DO TALIBAN

A Uniban nunca foi conhecida pela qualidade do seu ensino. É mais uma universidade caça-níqueis, das milhares que existem por aí. O mais engraçado é que ela não faz mesmo a menor questão de melhorar a imagem. Expulsar a estudante que foi hostilizada por ir à aula de microssaia é passar recibo de boçalidade e ganância. Provavelmente temendo o processo que Geisy Arruda estava ameaçando mover, a escola foi mais rápida e partiu para o ataque. Como é costume em países machistas e atrasados, a culpa é da vítima. A Uniban devia vestir a carapuça (a burca?) de vez e mudar sua primeira sílaba para "Tali". Só espero que Geisy não dê razão a essa turba, e recuse o inevitável convite da "Playboy" para posar nua.

sábado, 7 de novembro de 2009

LA TOLA

Até mesmo a tonta da Paula Abdul se recusou a comer o sushi oferecido sobre o corpo de um homem nu numa das muitas cenas grotescas do filme "Brüno". LaToya Jackson topou. Por causa da morte do irmão Michael, sua participação foi cortada da versão que passou nos cinemas. Mas está no DVD que saiu nos EUA esta semana. Repare como ela também demora a perceber que Brüno está copiando o telefone de Michael de seu Blackberry (calma, os números que ele diz em alemão são falsos). LaToya é tão burrinha e sem talento que eu quase que tenho pena dela. Quase.

IS THIS THE REAL LIFE?

Is this just fantasy? Custo a acreditar que os famososo prisioneiros filipinos continuam a gravar tributos coreográficos a ídolos do pop, enquanto que nas cadeias brasileiras o PCC comanda ataques pelo celular. É o efeito "Glee" / flash mob enchendo o mundo de alegria e bichice. O pessoal da penitenciária de Cebu é simplesmente a mais importante companhia de dança em atividade no momento: não tem pra Pina Bausch nem pra Débora Colker nem pra mais ninguém. Não sei porque eles ainda não foram chamados para dançar na entrega dos VMAs ou do Oscar. Ok, I get it: estão todos presos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

HEY MICKEY YOU'RE SO FINE

Não existe personagem mais chato que o Mickey. Quando o camundongo surgiu no cinema, no longínquo 1928, era uma espécie de Bart Simpson de seu tempo. Sacaneava amigos e inimigos, e sempre se dava bem. O tempo foi passando, e o Mickey foi encaretando. Seu papel de endiabrado foi roubado pelo Pato Donald, à medida que crescia sua importância como símbolo do império Disney. Hoje ele é pouco mais do que isto: um logo corporativo. E é por isto que as vendas de produtos com sua imagem vêm caindo no mundo inteiro. Como o reino é encantado mas não é bobo, Mickey está passando por um extreme makeover. Sua versão reloaded vai estrear, apropriadamente, num videogame. “Epic Mickey” vai mostrá-lo lutando numa espécie de mundo pós-apocalíptico do desenho animado. Um universo paralelo dominado por, veja só, seu “antepassado”, o Coelho Oswald – o primeiro personagem criado por Walt Disney, que ele perdeu para um antigo estúdio (e cujos direitos comprou de volta anos depois). O novo Mickey continua bom-caráter, mas não mais imaculado. Vai enganar, trapacear, aplicar golpes baixos. Se o jogador exagerar, ele vai se transformar numa ratazana. Isso ia ser legal: o Mickey transmitindo peste bubônica.

A CARA PARA BATER

Já está nas bancas a edição de novembro da revista “Women’s Health”, com a primeira coluna “Pergunte ao Amigo Gay” assinada por mim. Confesso que estou levemente em pânico. Sou assumidérrimo há muitos anos, mas a revista tem uma tiragem de 100.000 exemplares. Tenho a sensação de que todas essas pessoas virão me perseguir, com tochas e enxadas nas mãos. Por outro lado, estou me achando o cara mais corajoso do mundo. O texto está engraçadinho: sofreu alguns cortes aqui e ali, para caber na diagramação (e não, não posso postá-lo aqui no blog – quem quiser ler vai ter que comprar a revista). Mas a foto está me incomodando pacas. Eles tinham que escolher justamente a pose mais gay? OK, este é o nome da coluna, e quem sai na chuva é pra se molhar. O “leve brilho” que o maquiador aplicou nos meus lábios também imprimiu exagerado. Parece que estou fazendo propaganda da linha “Viva Glam” dos cosméticos M.A.C.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A GENTE REZA - E ACONTECE

Semana passada o governador do Paraná, Roberto Requião, fez uma correlação estúpida entre o câncer na mama e a homossexualidade. Muita gente se revoltou, inclusive eu aqui no blog. Esta semana nossas preces foram atendidas: a providência divina derrubou o palanque onde estava Requião, que sofreu ferimentos leves. Agora precisamos direcionar nossa ira santa para outros fronts. Como a enquete que está rolando no site do Senado: “Você é favorável à aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que torna crime o preconceito contra homossexuais?” Depois de alguns dias na lanterna, conseguimos virar o jogo, e agora as forças do Bem estão vencendo por 51% a 49%. Vamos aumentar essa vantagem: não é necessário rezar, só clicar.

Se bem que democratas de verdade sabem que é burrice submeter os direitos das minorias ao voto popular – pelo simples fato de que minorias sempre perdem votações. Os direitos civis dos negros americanos, por exemplo, foram impostos de cima para baixo; jamais teriam passado pelo crivo das urnas dos estados racistas do sul. Veja só o que acabou de acontecer no Maine. O estado faz parte da Nova Inglaterra, a região mais culta e liberal dos EUA. Alguns de seus vizinhos já legalizaram o casamento gay, como Vermont e Massachussets. O Maine submeteu a proposta aos eleitores, e não deu outra: o Mal venceu. Por pouco, mas venceu. Precisamos rezar mais.

(Marco e Luciano, Deus lhes pague pela dica)

THE CARREY SHOW

"I Love You Phillip Morris" é a comédia mais engraçada de toda a carreira de Jim Carrey. Mesmo assim, o filme ainda não encontrou distribuidor nos Estados Unidos (e nem no Brasil). A razão é prosaica: o personagem principal é desavergonhadamente gay. Fiquei com um pé atrás quando vi o trailer há alguns meses, mas que bom que eu estava enganado. O estilo de direção do filme, que está passando na Mostra de SP, combina perfeitamente com o da interpretação de Carrey. É frenético, over the top, ligeiramente irritante. A história seria totalmente absurda se não fosse baseada em fatos reais: um trambiqueiro de marca maior, que engana dezenas de pessoas, surrupia milhões de dólares e ama loucamente um cara que conhece na prisão. Ewan MacGregor está um tesãozinho, e no tom exato, como o delicado Phillip do título, e Rodrigo Santoro não compromete nas poucas cenas em que aparece. Mas é Carrey quem brilha, magro feito uma caveira e com um corte de cabelo que parece ter sido feito com uma cuia. Esses americanos não sabem o que estão perdendo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A IRMANDADE DO ANEL

Hoje rolou aqui em SP uma sessão especial para a imprensa e alguns blogueiros do filme mais hypado do ano, “Do Começo ao Fim”. Desde maio, quando caiu na rede o primeiro trailer, que a bibalândia está ouriçada para assistir a história dos dois irmãos que se amam. Mas claro que o incesto é o de menos: se fossem o Cássio e o Tato Gabus Mendes, por exemplo, duvido que houvesse esse alvoroço todo. O que o povo quer mesmo é ver dois gostosões se pegando na telona, parentes ou não. E isto o filme entrega. Quem for ao cinema atrás de soft porn não vai se decepcionar. As cenas de sexo são cheias de tesão e ternura – alguns vão achar que tem ternura demais – e, *suspiro de alívio*, mostram muito pau, bunda e beijo na boca. O problema está no roteiro, que é absolutamente inverossímil. Como já havia dito no meu primeiro post sobre o assunto, são comuns os casos de irmãos que transam, provavelmente até mais do que se imagina. Amor é bem mais raro, mas também existe. Agora, o que rola em “Do Começo ao Fim” é simplesmente fantasia. Uma relação idealizada, que além do mais acontece num mundo perfeito. Todo mundo é rico, todo mundo se dá bem, não existem conflitos. Os irmãos não escondem sua relação – chegam a usar alianças – mas, apesar de causarem uma certa estranheza, ninguém se incomoda muito com eles. O único problema demora a aparecer, e é um problema de criança: uma separação temporária por motivos de trabalho. Coisa até corriqueira para milhares de casais, mas que no filme equivale a um tsunami. Quem se desespera com uma separação dessas geralmente tem 7 anos de idade, e é esta a idade mental dos personagens. Então não espere um clima denso, cheio de nuances psicológicas, nem uma trama consistente. “Do Começo ao Fim” vale a pena porque mostra dois gostosões se pegando na telona.

O DIA T

Eu estava louco para ver "O Dia da Transa" desde que postei o trailer do filme aqui no blog, já faz alguns meses. Como eu disse na época, "Humpday" (o título original) parecia confirmar aquela manjada teoria de que todo mundo é gay - só falta um empurrãozinho. Acontece que "O Dia da Transa" não é exatamente sobre sexo. É sobre as escolhas que fazemos na vida, e sexualidade, como sabemos, não se escolhe. Ben está casado e feliz, mas ao reencontrar seu amigo Andrew, solteiro e bon vivant, faz questão de mostrar que não se acomodou, e que ainda é o maluco dos tempos da faculdade. E a melhor maneira de provar isto é rodar um filminho para um festival pornô, transando com o amigo. Os dois são héteros, mas é justamente isto o que fará do filme uma "obra de arte". Os atores são incríveis, e os diálogos perfeitos a ponto da gente acreditar que aquelas pessoas "normais" se viram mesmo nesta situação improvável. O roteiro poderia ser facilmente adaptado para uma boa peça de teatro. Aliás, a plateia da Mostra ria aos borbotões: atenção, distribuidores, "O Dia da Transa" é sucesso garantido.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

VINHO COR-DE-ROSA

Enquanto que a vodka Absolut lança sua versão “No Label” visando o público gay, a pequena vinícola argentina Noir vai na direção contrária. Ela diz que seus vinhos são produzidos “por gays, para gays”, e faz questão de vesti-los com rótulos que muitos HTs vai rejeitar: o do branco, por exemplo, mostra dois fortões se abraçando. Como estratégia de marketing até que é engraçadinho. Mas não me agrada muito esse gueto radical, que acaba isolando os gays do resto da humanidade. Prefiro uma suruba generalizada, onde nada é de ninguém e tudo é de todo mundo.

RODA E AVISA

Cresci vendo o Chacrinha na TV, e achando a coisa mais natural do mundo aquela figura bizarra, que jogava bacalhau no auditório e chamava por uma mulher que não estava lá. Muitas vezes o próprio apresentador também me parecia não estar lá: Chacrinha funcionava meio que no piloto automático, repetindo bordões e meio alheio ao caos instaurado à sua volta. Como ele morreu há mais de 20 anos, já existe toda uma geração que não o conheceu. E, no que depender do documentário "Alô, Alô, Terezinha", vai continuar não conhecendo. O filme foca muito mais nas ex-chacretes e ex-calouros de seus programas, e pouco esclarece sobre a trajetória de Abelardo Barbosa. Mas ficamos sabendo, com requintes de crueldade, que quase todo mundo se deu mal. O diretor Nélson Hoineff chega a humilhar os entrevistados, ao exibi-los em toda sua decadência física e material. Ainda bem que sobram muitos "causos" saborosos, e as imagens de época - mesmo com qualidade sofrível - revivem a animação e a baderna que ninguém, nem Faustão, nem Ratinho, ninguém jamais igualou na televisão brasileira. Chacrinha foi um ícone, um pedaço de um Brasil subdesenvolvido e carnavalesco que ainda teima em sobreviver. Merecia coisa melhor do que este filme, que veio mais para confundir do que para explicar.

BOSSA NORGE

Não tem som melhor que o dos Kings of Convenience para se começar no tranco a semana de trabalho, depois de um feriado de sol. O novo CD dessa dupla norueguesa, "Declaration of Dependence" - o primeiro em cinco anos - é o mais próximo que a Escandinávia consegue chegar da bossa nova. Predominam os violões, não há percussão, os vocais são suaves e as músicas são todas lindas. Baixe aqui "Boat Behind", e sinta-se numa rede imaginária com vista para um fiorde no verão. Pensando melhor, talvez não seja o som mais indicado para o início da semana: dá vontade de não sair dessa rede.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

UM LONGO EXTRA DE DVD

Há algo de profundamente melancólico em "This Is It", o documentário sobre os últimos ensaios de Michael Jackson. É o making of de algo que não chegou a ser feito. É o mais longo extra de DVD de todos os tempos, mas este DVD jamais vai sair. É de partir o coração pensar que aqueles artistas e técnicos todos, declaradamente emocionados de estarem trabalhando com um dos maiores gênios da música pop de todos os tempos, teriam seus sonhos frustrados a pouco mais de duas semanas da estreia. É de partir o coração pensar que NÓS jamais veremos o show completo. O filme até que tenta apresentar as músicas na ordem que teriam no palco, e alguns números já estavam prontos. Mas claro que não é a mesma coisa. Sobre o próprio Michael, aprendemos pouca coisa nova: ele não é entrevistado, e quase nunca tira os óculos escuros. Quando não está dançando ou cantando, parece o Coringa do Batman, com a boca esgarçada e pintada de vermelho. Mas durante os ensaios é firme, exigente, ultra-profissional, e incrivelmente gentil: nunca dá broncas, nunca levanta a voz e suas reclamações vem junto com um "with love". De certa forma, "This Is It" é o perfeito testamento artístico de Michael. O fecho espetacular e frustrante de uma carreira idem.

domingo, 1 de novembro de 2009

MILHARES DE SONHOS SÃO PARA SONHAR

Houve um tempo em que o "Fantástico" tinha abertura, e essa abertura tinha uma música, e essa música tinha letra. Hoje saiu na "Folha de São Paulo" um comentário meu sobre esse programa de antigamente, cheio de nostalgia. Alguém mais aí tem idade para lembrar da zebrinha? Assinantes do UOL podem ler o texto aqui. E ficar com a musiquinha na cabeça pelo resto do dia: "...millhares que não se pode contar..."