sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CANSEI DE SER MÁRCIA

Ando muito bonzinho nas minhas colaborações para a “Folha de São Paulo”. Todo filme que eu vejo é ótimo, todo show é sensacional, todo mundo é incrível. Pareço até a Márcia de Windsor, uma atriz que foi jurada no “Programa Flávio Cavalcanti” nos anos 70 e dava 10 para qualquer calouro, não importava a barbaridade que ele cometesse no palco. Pois bem: esse tempo acabou. Hoje saiu no jornal minha primeira crítica negativa, que os assinantes do UOL podem ler aqui. Quis o destino que a vítima fosse justamente “Do Começo ao Fim”, o filme mais badalado pela viadagem brasileira neste ano que vai findando. Repito lá mais ou menos o que disse no blog: não há conflito, os irmãos que se amam são duas criançonas e o ingresso só vale pelas cenas de sexo. Mesmo assim, não calquei a mão até o fim e dei “regular” como cotação. Porque o filme tem inegáveis qualidades técnicas, bons atores e, principalmente, coragem e boas intenções. Mas, como todo mundo sabe, de boas intenções o inferno…

(Marta, a sua comparação do filme com a coleção "Sabrina" é tão boa que eu tive que chupar. No jornal não pude dar o crédito a você, mas aqui eu posso.)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TATI QUEBRA-PALÁCIO

Ainda não tinha me manifestado sobre essa terceira temporada do "Brazil's Next Top Model", mas não dá mais pra segurar: explode coração. Como assim, a Tati eliminada? Achei que ela chegaria até a final, onde disputaria o primeiro lugar com sua antípoda Bruna. Mas agora perdeu a graça. Às vezes parece que os jurados se esquecem que aquilo é só um programa de TV e levam muito a sério a missão de descobrir a próxima estrela das passarelas. Ninguém, nem aqui nos EUA, alcançou a glória só por ter sido a vencedora. E olha que esta foi, de longe, a melhor edição, justamente por causa do mix de meninas na casa. O "BNTM" virou quase um "Big Sister", com as pelejas entre as candidatas se tornando mais importantes que as provas. Claro que, mais uma vez, meu proverbial pé-frio entrou em campo: minha primeira favorita era a lésbica Giovahnna, que dançou há mais de um mês. Aí passei a torcer pela Tatiana, a favelada carioca que parecia estar ali à revelia. Era uma delícia vê-la dizer que odiava fazer pose e que não queria ser modelo. Mesmo assim, suas fotos ficavam incríveis, e ela foi se tornando a grande rival da Bruna, a diabética pentelha com tendência a engordar - mas também a mais experiente da turma, e ótima modelo. Já vazou na Wikipedia que a campeã será, como das outras vezes, uma mosca morta: Camila Trindade, linda de morrer mas sem graça feito um copo d'água. Pouco importa. Para mim o programa acabou hoje.

A LÍNGUA PRÉ-FABRICADA

Atire a primeira pedra quem nunca usou uma frase feita. Aliás, "atirar a primeira pedra" é um lugar-comum exuberante, devidamente registrado no sensacional dicionário "O Pai dos Burros". Humberto Werneck vem colecionando esses vícios de linguagem desde os anos 70 e agora eles estão reunidos num único volume, ao alcance de quem quiser evitar os clichês na hora de escrever. A lista é abrangente e cruel: entraram até expressões que me pareciam perfeitamente inocentes, como "atrás das grades" e "engolir em seco". O autor diz que elas não estão "proibidas", mas que sua ausência deixa qualquer texto mais interessante. Para a segunda edição, sugiro a inclusão de algumas que eu adoro odiar, como "perdeu a batalha contra o câncer" ou "o camelo é o navio do deserto".

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

Admiro a desfaçatez dessas francesas que não deixam que um pequeno detalhe como a falta de voz atrapalhe suas carreiras de cantoras. Elas se garantem com charme, atitude e boas relações e os resultados muitas vezes são agradáveis. É o caso da primeira-dama Carla Bruni e também o de Charlotte Gainsbourg. Linhagem musical ela tem: seu pai Serge foi o mais importante compositor do pop francophone. Por outro lado, sua mãe Jane, apesar de inglesa, se inscreve tranquilamente na tradição nacional de cantoras sussurrantes e meio truqueiras. Charlotte pelo menos é inquieta e procura coisas inusitadas para gravar. Seu disco “5:55” foi produzido pela dupla Air, e era uma gostosura atmosférica. Dessa vez ela chamou o americano Beck para conduzir seu novo trabalho, “IRM” (a sigla em francês para o exame de ressonância magnética). Quem cadastrar o e-mail no site da moça recebe um link para baixar de graça a faixa-título. Não gostei muito não: pouca melodia e muita percussão. Preciso conferir o resto do CD. Charlotte ainda tem crédito comigo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

LEVI SEM PAGAR

A gloriosa revista "Playgirl" - a primeira a mostrar nus frontais masculinos - parou de ser publicada em janeiro deste ano. Nem mesmo seu fiel público gay, que respondia por aproximadamente 30% da circulação, foi suficiente para salvá-la. Mas ela sobrevive online, e inventou uma jogada sensacional para voltar aos holofotes. Está publicando, a ritmo de conta-gotas, fotos sensuais de Levi Johnston, aquele que engravidou a filha da Sarah Palin e depois rompeu com a família toda. Não tenho coragem de me associar ao site e morrer numa grana só para ver essas fotos, ainda mais porque já se sabe que Levi não fez the full monty. Mas adoro seu corpitcho na medida, sem tatuagens nem excessos de malhação. Fora que o rosto do rapaz é lindo, digno de Hollywood. Por enquanto não encontrei nenhuma imagem mais ousada que essa aí ao lado, mas a luta continua. Alguém sabe onde tem mais?

OVO VIRADO

Toca o telefone.
- Luiiiiz?
Mau humor instantâneo. Quem liga me chamando de Luiz não só não me conhece como provavelmente vai me aborrecer com alguma coisa.
- Aqui é da academia. A gente reparou que você não tem vindo. Por quê, hein?
- Falta de tempo.
- Mas é por causa do trabalho, é pessoal…?
- É um pouco por tudo.
- Mas é mais trabalho ou mais pessoal?

Pronto: o mundo se tingiu de vermelho. Devia ter dito “É que estou me tratando de uma gonorreia que eu peguei da sua mãe”. Ou então encarnado a Maria Clara Gueiros e soltado um “Vem cá, te conheço?”. Mas na hora não me ocorreu nada melhor.
- Eu vou na academia quando eu quiser!
E bati o telefone.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

MANAH MANAH, WILL YOU LET ME GO?

Freddie Mercury morreu há exatos 18 anos. Numa merecidíssima homenagem ao maior cantor de todos os tempos period, os Muppets lançaram hoje sua versão de "Bohemian Rhapsody". Que mané "Bad Romance", que nada: este é que é o melhor vídeoclipe do ano. Mimimimi.

MASH QUE EU GOSTO


Hoje é um dia importante para o que restou da indústria fonográfica. A um mês do Natal, estão sendo lançados nos EUA alguns dos CDs mais badalados do ano. O pacotaço inclui Lady GaGa, Adam Lambert, Susan Boyle, Rihanna, Britney Spears (com mais uma compilação) e até mesmo Sua Majestade Satânica. Isto mesmo: o papa Adolf I empresta sua voz de rouxinol a alguns cânticos e litanias que prometem bombar nas festas do réveillon (NOT). Tá com preguicinha de baixar tudo? Então dá uma sampleada no mash-up remix que o DJ Skribble preparou para o Daily Beast, meu site favorito. Ahaseaux.

MAPA-BUNDI

Sabe aquela sensação de que está todo mundo transando horrores, menos você? Ela vai piorar ainda mais depois de uma visita ao "I Just Made Love", que mostra no mapa onde se trepa mundo afora, e como, e com quem. Funciona assim: logo após uma bimbada, os usuários preenchem um pequeno formulário no site, inclusive com dados subjetivos do tipo "foi bom para você?". E os internautas podem usar muitos filtros para revelar os detalhes que realmente interessam: homem com homem, mulher com mulher, camisinha, ao ar livre, no barco... Claro que não há como saber se é tudo verdade. Mas que dá uma certa aflição, ah, isso dá.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MÚSICA EUNUCA

Até o século 19, era comum na Itália que meninos pobres fossem castrados para se tornarem cantores líricos. Claro que ninguém perguntava se eles estavam a fim de entrar na faca, mas a perspectiva de uma carreira de sucesso animava muitos pais sem recursos. Depois a prática caiu em desuso, fiu, e todo um repertório específico foi esquecido. Porque a voz desses eunucos era única, nem de homem nem de mulher. Perfeita para papéis de anjos e seres mitológicos. Atualmente, pouca gente se arrisca nessas peças dificílimas. Edson Cordeiro foi um deles, e agora chegou a vez de Cecilia Bartolli, que acaba de lançar o CD “Sacrificium”. Cecilia é ultra-histriônica, e sua voz de mezzo-soprano talvez seja o mais perto que consigamos chegar dos castrati originais. Experimente “Chi Teme a Giove Renante”, com direito a trovoadas e malabarismos – isso aí que é diva beeesha, o resto tem até buço. E hoje em dia, quem topa se sacrificar pela arte? Prometo que não vai doer nada…

AHMADONNEJAD

O popstar iraniano já desembarcou no Brasil, levando a tiracolo seu namorado Maomé Trevas e obcecado como sempre pelos judeus. Mas é tudo embromação: o escritor irano-americano Reza Aslan já cantou o blefe. Ahmadinejad nega o Holocausto toda vez que reprime alguma manifestação estudantil, ou rejeita mais um acordo quanto à capacidade nuclear de seu país. Assim distrai a mídia, que fica soltando gritinhos de horror, enquanto desce o cacete à vontade na oposição. Mesmo assim, acho normal o Brasil ter relações diplomáticas com o Irã, como aliás todos os países europeus também têm. Mas ninguém fica puxando o saco do Mahmoud, apoiando sua eleição fraudulenta ou dizendo que lá brilha a mais prístina democracia. Ando relevando muita coisa do Lula, mas isto não perdoo. Tenho vontade de vomitar quando penso que o Mal-ajambrad está sendo recebido em Brasília com honras de chefe de estado (o que, de direito, ele não é). Menas, Lula, menas.

PITTA PAGOU O PATTO

Celso Pitta talvez tenha sido o pior prefeito de São Paulo, desde o tempo das capitanias hereditárias. Não vai fazer a menor falta no apodrecido panorama politico brasileiro. Mas não deixo de sentir uma certa peninha do cara, porque, de certa forma, ele foi o bode expiatório do malufismo. Todo mundo o abandonou, a começar pelo próprio Maluf, e, last but not least, sua ex-mulher Nicéia. Nos últimos anos Pitta concorreu duas vezes a deputado federal, e levou ferro em ambas. Era uma unanimidade negativa. Deu no que deu: o cara somatizou, desenvolveu um câncer e se foi. Seu sacrifício vai deixar muita gente se sentindo expiada, limpinha de todos os pecados. A começar pelo mesmo próprio de antes, que, apesar do eleitorado minguante, ainda deve ter votos suficientes para se eleger deputado. Blargh.

domingo, 22 de novembro de 2009

O GÊNERO ESTÁ ENTRE AS ORELHAS

Chaz Bono, nascida Chastity, ainda não terminou o longo processo que irá transformá-lo num gordo afeminado, mas já dá para ver alguns resultados. OK, estou sendo cruel, mas piadinhas como esta devem ser o menor dos problemas de quem nasceu mulher e quer se transformar em homem. Por enquanto o filho da Cher só retirou os seios, cortou o cabelo, se encharcou de hormônios masculinos e fez duas tatuagens horrendas. Ainda não mexeu nos países baixos, e, se eu fosse ele, pararia por aqui. Se houvesse uma maneira eficaz de construir cirurgicamente um pau funcional, quem mora perto já seria freguês faz tempo.

(mais uma dica do Luciano de SJC)

E O MUNDO NÃO SE ACABOU

Ninguém mais pode soltar um peido no Rio de Janeiro sem que a imprensa internacional questione a capacidade dos cariocas de organizar as Olimpíadas de 2016. É tanto alarmismo que eu fiquei a fim de ver algo arrasador pra valer, que cancelasse a porra dos Jogos de uma vez por todas. Como o tsunami prometido pelo poster brasileiro de “2012”, com o Cristo se estilhaçando e uma Urca imaginária sendo arremessada contra o Pão de Açúcar. Mas saí frustrado: a cena é rapidíssima, e acontece apenas num monitor de TV, com “imagens fornecidas pela Globo News” (sabia que a Globo iria resistir ao fim do mundo). Só neste ponto o filme desaponta. São quase três horas de aniquilação total, acompanhadas pelo roteiro perna-de-pau obrigatório. Adoro quando os cientistas explicam que as partículas solares se “transmutaram”. E adoro ainda mais quando uma torre de controle é destruída pela lava e alguém lá dentro exclama, “essa não!”. “2012” é um pastiche bilionário de todos os filmes-catástrofe jamais feitos: “Terremoto”, “Poseidon”, “Inferno na Torre”, “Aeroporto”, etc. Só faltou um enxame de abelhas assassinas. O mais engraçado é que tem neguinho por aí levando a sério a tal da “profecia” maia sobre o fim do mundo em 2012. Gente, se os maias fossem tão sofisticados assim, não teriam extinto sozinhos a própria civilização, antes mesmo da chegada dos espanhóis.

sábado, 21 de novembro de 2009

FESTA DE ARROMBA

"Minha Fama de Mau", a autobiografia de Erasmo Carlos, é gostosa de se ler, recheada de "causos" da Jovem Guarda e outros momentos da MPB. Alguns fazem até a linha mais-do-que-queríamos-saber. Mas o livro nem de longe é o retrato definitivo da vida e da carreira de um dos compositores brasileiros de maior sucesso de todos os tempos (como cantor, nem tanto). Erasmo escreve de maneira leve, e mantém o tempo todo o deslumbramento do menino pobre que vê um mundo de festas, mulheres e carrões se abrir à sua frente quando ainda era muito jovem. Mas os episódios difíceis, que existem em qualquer vida, são praticamente varridos para baixo do tapete. Especialmente o suicídio de sua ex-mulher Narinha, que merece um capítulo com menos de uma página. O Tremendão diz até hoje que não faz ideia por quê ela se matou, mas é claro que faz - e claro que tem todo o direito de evitar o assunto. Mas fiquei curioso em saber dos detalhes, que talvez só fossem revelados por um escritor mais isento. Só que não duvido que Erasmo, a exemplo do seu amigo-de-fé-irmão-camarada, também tirasse esse livro de circulação.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

VERSÃO BRASILEIRA...

Meu sogro morreu hoje de madrugada, no Rio de Janeiro, depois de quase um ano muito doente. Tinha um dos nomes mais ouvidos na televisão brasileira e um rosto pouco visto - tanto que existem comunidades no Orkut tipo "Quem é Oscar sênior?". Era um homem cheio de energia, que amava o cinema e o golfe. Agora estamos em plena função velório, e a cremação será amanhã. Oscar está bem, na medida do possível, e agradece aos telefonemas, e-mails e mensagens que estão chegando. Obrigado pelo carinho, gente.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TCHÍNEMA ITALIÁNO

Falta só um mês para a estreia americana de "Nine", o filme-que-eu-mais-quero-ver-de-todos-os-tempos deste ano. No Brasil ele entra em cartaz no dia 15 de janeiro; enquanto isto, posso me regalar com fragmentos como este acima. Nele Kate Hudson, uma atriz que nunca me agradou muito, está absolutamente fabulosa cantando "Cinema Italiano", uma das poucas canções originais do filme e forte candidata ao Oscar na categoria. Também já estão pingando na internet os primeiros comentários de quem já viu "Nine" pronto, e são todos sensacionais. Para os esfomeados como eu, tem até um blog no ar. Minha expectativa só é menor que o medo de me decepcionar.

LOS NORMALES

Com alguns ajustes, "Um Namorado para Minha Esposa" poderia ser adaptado para mais um episódio das aventuras de Rui e Vani. A agilidade dos diálogos e o pique dos atores é semelhante e, como no recente longa brasileiro, o tom fica sentimental e o ritmo mais lento no final. Essa comédia argentina fez muito sucesso por lá, mas está passando meio desapercebida em SP. Além de ser um bom programa, é mais uma amostra de como nossos vizinhos conseguem fazer bons filmes de baixo orçamento que retratam a classe média, enquanto que por aqui só se fala em favela e tiroteio. Valeria Bertuccelli está fenomenal como a mulher insuportável que aos poucos vai se tornando interessante, para desespero do marido que contratou um cara para seduzi-la e assim conseguir o divórcio mais fácil. E, apesar da cidade aparecer pouco, saí do cinema com saudades de Buenos Aires.

(gracias ao Cau, mi turróncito relleno de avellanas, que percebeu o parentesco do filme com "Os Normais)

GAY DEMAIS

Todo ano a revista "Out" faz a lista dos 100 gays mais influentes dos Estados Unidos, e põe os mais famosos na capa. Claro que na edição de 2009 está o Adam Lambert, que saiu do armário logo após o "American Idol" e lança seu disco na semana que vem. Beleza, né? Mas aí o editor da revista escreveu uma "carta aberta" ao cantor, reclamando que os assessores de Lambert insistiram para que ele não saísse "gay demais" na foto, e que houvesse pelo menos uma mulher hétero no grupo. Olha, para o rapaz não parecer excessivamente viado, nem jogando um pano grosso por cima, porque ia virar um sári belíssimo. E a tal da mulher hétero escolhida foi ninguém menos que Cyndi Lauper, fag hag das mais manjadas do planeta. Adam retrucou dizendo que isso é jogada de marketing da "Out" para esquentar as vendas. Pois eu acho que sai todo mundo ganhando com essa polêmica toda. Inclusive as bibas americanas, que já têm um ídolo jovem e corajoso em quem se espelhar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

INHAME, SALAME, GARRAFA DE GUARANÁ

Eis o grande vencedor do "Show do Gongo", que rolou ontem à noite aqui em São Paulo. É uma pequena obra-prima. E agora acho que vou tirar a roupa e ficar totalmente nu, devido ao forte calor.

(obrigado ao Regis e ao Ruy, que me avisaram que já estava no Iuiuiutube)

A REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO GONGO

Já faz 10 anos que o “Show do Gongo” é a sessão mais concorrida do Festival Mix Brasil. A verdade é que ninguém teria saco de assistir aos concorrentes numa sessão normal de curtas: a maioria é abaixo de péssimo. Mas o formato de programa de auditório é simplesmente irresistível. Quase todas as feeenas de SP estavam ontem no Memorial da América Latina, esperneando como se jamais tivessem estudado no Des Oiseaux.

Presa no Rio por causa das gravações do último episódio de “Toma Lá, Dá Cá”, Marisa Orth chegou atrasada. Para conter a sede de sangue da plateia, a produção pediu para Silvetty Montilla quebrar um galho. E a drag mais engraçada do Brasil não se fez de rogada: fez o povo rolar de rir enquanto a esbaforida Marisa arrumava o cabelo nos bastidores. La Orth encontrou um público já aquecido, e, talvez com ciuminho de La Montilla, entrou afiadíssima, soltando farpas em todas as direções.

Menos numa: os proprios vídeos. Experiente, a apresentadora não deixou que a turba furiosa eliminasse todos os candidatos assim que vencessem os 30 segundos preliminares. E alguns diretores malandrinhos se beneficiaram disto, porque as porcarias que inscreveram tinham menos que meio minuto. No júri, Piu-Piu e Walério Araújo foram facilmente ofuscados por Silvetty, como sempre em noite de glória.

Logo no começo surgiu um favorito: “Furico Li, Furico Lá”, de Sandra Brogioni, vencedora de outras edições. Uma paródia da famosa canção italiana, contando casos inacreditáveis de beees que enfiaram corpos estranhos no fiofó e foram parar no hospital. Divertidíssimo e tecnicamente perfeito: o Memorial veio abaixo, e todos os jurados deram nota máxima.

Nenhum outro lhe chegava aos pés. André Machado, também bi-campeão, veio com duas piadas rápidas, mais fracas do que de costume. O único vídeo lésbico foi praticamente escorraçado. Marisa fez com que um pornô hétero, com interessantes imagens caleidoscópicas, chegasse até o fim, mas o júri não se convenceu.

À meia-noite, a apresentadora ligou do palco para o filho, que estava completando 11 anos. Foi um momento ternurinha, com todo o auditório cantando “Parabéns a Você”. Mas a partir daí, talvez cansada e/ou lubrificada pelo whisky, Marisa perdeu um um pouco o rebolado. Entrou numa discussão boba com Walério, chamou Silvetty de Salete e salvou do gongo uns vídeos fracotes. E caiu de amores por “Arco-Íris”, um manifesto político com uma linda mensagem pró-igualdade, mas bem tosco e piegas. Contaminado, o júri acabou dando uma unânime nota 5 a este também, que então foi disputar o troféu com “Furico”.

Mas, apesar da torcida de Marisa, prevaleceu o bom senso – ou melhor, o espírito de porco. O “Show do Gongo” é um tributo à avacalhação, e o candidato que melhor encarnou essa irreverência toda foi mesmo “Furico Li, Furico Lá”. Uma saraivada de palmas para a diretora, e assim que o vídeo estiver disponível na rede – ainda não achei no YouTube – eu posto aqui no blog.

Ufa.

(Também não achei nenhuma foto da noite de ontem, por isto Marisa aparece lá em cima numa cena de seu próprio show. Depois eu troco.)